Tecnologia · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Tortura e abuso contra menina no ES foram transmitidos em live para 300 menores

Crime foi exposto ao vivo para grupo dentro de um aplicativo de mensagens na internet; adolescente de 15 anos foi apreendido

Tortura e abuso contra menina no ES foram transmitidos em live para 300 menores
Tortura e abuso contra menina no ES foram transmitidos em live para 300 menores

Pelo menos 300 pessoas, a maioria menores de idade, assistiram à transmissão ao vivo de uma adolescente de 14 anos, moradora de Vila Velha, na Grande Vitória , sendo agredida, espancada, torturada e estuprada pelo namorado, de 15 anos.

Cenas de horror foram compartilhadas em um grupo dentro

As cenas de horror foram compartilhadas em um grupo dentro de um aplicativo de mensagens e chat comunitário, o Root.

O adolescente foi apreendido em 8 de outubro . O crime foi descoberto pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça, que enviou um relatório à Polícia Civil do Espírito Santo no último dia 5, quando a corporação instaurou um inquérito para investigar o caso.

De acordo com o delegado Brenno Andrade, chefe da Divisão Patrimonial (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), os dois adolescentes se conheceram justamente em um desses grupos do aplicativo Root.

Por coincidência, os dois moravam próximos, encontraram-se presencialmente e

Por coincidência, os dois moravam próximos, encontraram-se presencialmente e iniciaram um namoro.

No entanto, após ficar sabendo de uma suposta traição, o adolescente pulou o muro da casa da menina, enquanto ela estava sozinha na residência, e a violentou de diversas formas, tudo isso gravado e transmitido ao vivo.

Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo onde a transmissão dos abusos aconteceu é destinado à prática dos mais variados tipos de agressão e violência como automutilação, tortura de animais, racismo, misoginia, abuso e exploração sexual infantil.

“É um grupo altamente estruturado, com lideranças, uma hierarquia imposta e outras pessoas que participavam assistindo. Nele existe um indivíduo com uma posição de comando, outros abaixo dele coordenam, e os que consomem o conteúdo”, detalhou o delegado.

Esses grupos costumam se autodenominar como “panelas” e são compostos por pessoas de todo o país. No caso do abuso em Vila Velha, havia de sete a nove pessoas “coordenando” e comandando o chat no momento do crime.

Após cometer a violência, o adolescente enviou mensagens para a menina fazendo ameaças de morte. Em um print divulgado pela Polícia Civil, a vítima diz que um familiar viu hematomas no braço dela.

Como resposta, o suspeito escreve: “Sorte que eu fiquei com pena de rasgar o seu pescoço”.

Quem pensa que apenas o adolescente cometeu crime ao violentar a namorada e transmitir via live, está enganado. De acordo com o advogado Bruno Guerra, especialista em Direito Virtual, os espectadores da transmissão também podem ser responsabilizados.

“Se comprovadas a organização e estrutura hierárquica, as pessoas (que comandavam o grupo) podem responder por organização criminosa.

Para aquelas que assistiram, a conduta, o comportamento delas durante essas lives vai ter que ser avaliado caso a caso para a gente identificar quais tipos penais foram praticados”, explicou o especialista, em entrevista à TV Gazeta .

Gravar, compartilhar e armazenar conteúdo de exploração sexual é crime. “Os adolescentes podem receber medidas socioeducativas, como por exemplo advertência, trabalho comunitário e até mesmo a internação.

E os adultos que participam dessa comunidade podem ter penas que podem passar de 14 anos, dependendo do enquadramento”, ponderou o advogado.

Os pais de adolescentes devem ficar atentos ao conteúdo consumido pelos filhos no ambiente virtual. Por vezes, eles conseguem “esconder” um aplicativo.

Funciona da seguinte forma: um aplicativo de mensagens fica “camuflado” como a calculadora, por exemplo, ou como um bloco de notas.

À primeira vista, olhando o celular do filho, os pais veem apenas aplicativos conhecidos. Uma alternativa para identificar essa tática é verificar o tempo de uso dos aplicativos pelo adolescente.

“Dentro das configurações do celular, os pais podem ver em qual tipo de aplicativo o adolescente está ficando mais tempo”, disse o delegado Brenno Andrade.

Grupo onde transmissão aconteceu era voltado à violência

Adolescente apreendido ainda ameaçou menina de morte

“Quem assiste pode ser responsabilizado”, diz especialista

Em resumo

O que aconteceu?

Pelo menos 300 pessoas, a maioria menores de idade, assistiram à transmissão ao vivo de uma adolescente de 14 anos, moradora de Vila Velha, na Grande Vitória , sendo agredida, espancada, torturada e estuprada pelo namorado, de 15 anos. As cenas de horror foram compartilhadas em um grupo dentro de um aplicativo de mensagens e chat comunitário, o Root.

Qual é o ponto principal?

O adolescente foi apreendido em 8 de outubro . O crime foi descoberto pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça, que enviou um relatório à Polícia Civil do Espírito Santo no último dia 5, quando a corporação instaurou um inquérito para investigar o caso.

Quais são os dados mais importantes?

De acordo com o delegado Brenno Andrade, chefe da Divisão Patrimonial (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), os dois adolescentes se conheceram justamente em um desses grupos do aplicativo Root.

Qual é o contexto?

Por coincidência, os dois moravam próximos, encontraram-se presencialmente e iniciaram um namoro. No entanto, após ficar sabendo de uma suposta traição, o adolescente pulou o muro da casa da menina, enquanto ela estava sozinha na residência, e a violentou de diversas formas, tudo isso gravado e transmitido ao vivo.

Quais são os próximos desdobramentos?

Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo onde a transmissão dos abusos aconteceu é destinado à prática dos mais variados tipos de agressão e violência como automutilação, tortura de animais, racismo, misoginia, abuso e exploração sexual infantil.

Fontes