Trabalho alcança 26,5% dos idosos em São Paulo
Levantamento da Fundação Seade mostra 2,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais na força de trabalho paulista no segundo trimestre de 2026.

São Paulo tinha 2,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais na força de trabalho no segundo trimestre de 2026. O contingente representa 26,5% dos 8,3 milhões de moradores dessa faixa etária no estado, segundo levantamento divulgado pela Fundação Seade.
Os números foram noticiados pelo InfoMoney e conferidos no estudo oficial do Seade, elaborado com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE. A expressão força de trabalho reúne pessoas ocupadas e pessoas sem trabalho que estavam procurando uma vaga.
Entre os idosos economicamente ativos, 97% estavam ocupados e 3% desocupados no período analisado. A proporção mostra um mercado com desemprego relativamente baixo nesse grupo, mas não permite concluir, por si só, se a permanência no trabalho decorre de escolha, necessidade de renda ou combinação de motivos.
Participação varia entre faixas etárias
A presença no mercado diminui com o avanço da idade. Na faixa de 60 a 69 anos, a participação alcançava 39,7%. Entre pessoas com 70 anos ou mais, caía para 10,6%. O recorte ajuda a evitar a leitura de que toda a população idosa mantém o mesmo vínculo com a atividade econômica.
Também existe diferença relevante entre homens e mulheres. No conjunto de pessoas com 60 anos ou mais, 37,8% dos homens participavam da força de trabalho, ante 18,1% das mulheres. O estudo registra a desigualdade, mas não atribui uma causa única a ela. Trajetórias profissionais, responsabilidades de cuidado, renda e condições de saúde podem influenciar o resultado e exigem análises específicas.
O trabalho por conta própria aparece como a principal forma de ocupação: 40,2% dos trabalhadores idosos estavam nessa posição. Entre aqueles com 70 anos ou mais, o percentual chegava a 53,9%. O dado sugere que muitos continuam economicamente ativos fora do emprego assalariado tradicional, em atividades com diferentes graus de proteção e estabilidade.
Ocupação avança desde 2019
Na comparação entre os segundos trimestres de 2019 e 2026, o número de idosos ocupados cresceu 26%, o equivalente a 441 mil pessoas. A expansão superou a alta de 10,3% observada no total da população ocupada paulista. Entre as mulheres idosas, o avanço chegou a 31,3% no mesmo intervalo.
O emprego com carteira assinada ganhou espaço nos dois grupos. A parcela de homens idosos nessa condição passou de 20,9% para 27,3%, enquanto a de mulheres subiu de 11,2% para 20,6%. Ainda assim, o peso do trabalho autônomo permanece alto, o que torna importante observar renda, jornada, contribuição previdenciária e acesso a direitos.
O levantamento também mostra rendimentos médios maiores entre idosos do que em outras faixas, embora os valores tenham recuado em termos reais no período estudado. No segundo trimestre de 2026, homens com 60 anos ou mais recebiam, em média, R$ 5.612,38 por mês, e mulheres, R$ 4.137,34. A diferença de renda persiste mesmo quando a presença feminina cresce.
Os dados ajudam a dimensionar o efeito do envelhecimento sobre empresas e políticas públicas. Adaptação de ambientes, combate à discriminação etária, formação continuada e proteção ao trabalhador autônomo tendem a ganhar importância. A pesquisa não transforma a permanência no mercado em sinal automático de bem-estar; ela oferece uma base para discutir como garantir trabalho digno a quem deseja ou precisa continuar em atividade.
Em resumo
Eram 2,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no segundo trimestre de 2026.
É a parcela dos 8,3 milhões de idosos paulistas que estava ocupada ou procurando trabalho.
Sim. Era de 39,7% entre 60 e 69 anos e de 10,6% a partir dos 70 anos.
O trabalho por conta própria reunia 40,2% dos ocupados com 60 anos ou mais.
Não. Os dados medem participação e ocupação, sem apontar um motivo único para a permanência no mercado.