TRE-ES prepara cédulas para auditoria pública das urnas
Partidos e entidades fiscalizadoras acompanharam o preenchimento dos votos em papel usados no teste de integridade das Eleições 2026.

O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo reuniu entidades fiscalizadoras e representantes de partidos, federações e coligações para preparar as cédulas de papel que serão usadas na auditoria pública das urnas em 4 de outubro. A cerimônia ocorreu no Centro de Capacitação do tribunal, em Vitória, sob coordenação da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica.
As cédulas registram votos previamente conhecidos. No dia do primeiro turno, esses mesmos votos serão digitados em urnas eletrônicas selecionadas para o teste de integridade. Ao final, o boletim de urna precisa reproduzir exatamente a soma das cédulas. A comparação direta permite verificar a captação e a contagem do equipamento em funcionamento contínuo.
A juíza Ana Cláudia Rodrigues de Faria, presidente da comissão, abriu a reunião. Servidores das áreas de sistemas eleitorais e controle partidário explicaram as modalidades de auditoria e responderam às dúvidas dos presentes. As cédulas preenchidas foram então recebidas e armazenadas para utilização no teste, segundo o relato oficial do TRE-ES.
Teste reproduz o movimento de uma seção
Durante o teste de integridade, que ocorre das 8h às 17h, operadores retiram uma cédula de urna de lona lacrada e registram na urna eletrônica a escolha ali indicada. O ciclo se repete ao longo do dia, simulando a movimentação de uma seção. O ambiente é filmado e pode ser acompanhado pelos fiscais autorizados.
Depois do encerramento, cada equipamento imprime seu boletim. Os números de candidatos, partidos, votos brancos e nulos devem coincidir com o controle em papel. Qualquer diferença exigiria registro e análise. O método não tenta adivinhar o voto real do eleitor; usa uma massa conhecida de dados para conferir a resposta do sistema.
Há também o teste de integridade com biometria. Eleitores da seção selecionada desbloqueiam, com a própria digital, uma urna idêntica instalada em sala separada. A pessoa continua votando normalmente na urna oficial. O objetivo da auditoria paralela é demonstrar que o comando biométrico libera o equipamento, mas não altera o conteúdo do voto nem o resultado.
Auditoria não interfere na votação oficial
As urnas submetidas aos testes são retiradas das seções sorteadas e substituídas por outras já preparadas com os mesmos sistemas. Por isso, nenhum voto digitado na auditoria entra na apuração oficial. A separação física e lógica evita que o exercício de fiscalização se misture à manifestação do eleitor.
Outra modalidade é o teste de autenticidade dos sistemas. Ele ocorre antes do início da votação, na própria seção escolhida ou sorteada. A autoridade eleitoral, diante da mesa e das entidades fiscalizadoras, confere as assinaturas e os resumos digitais para verificar se o programa instalado é o mesmo autorizado pelo TSE.
O conjunto de verificações é disciplinado por resolução nacional e normas regionais. A participação dos partidos e instituições não se limita a receber o resultado pronto: representantes podem acompanhar a definição das cédulas, a seleção de equipamentos, os procedimentos no dia e a emissão dos relatórios, dentro das regras de credenciamento.
Sorteio e execução são os próximos marcos
Antes do pleito, a comissão divulgará as urnas escolhidas para as modalidades de auditoria. No domingo, os testes começarão em horários definidos e seguirão sob observação. Os boletins e atas produzidos passam a integrar a documentação do processo, permitindo conferência posterior por órgãos e entidades habilitados.
Para o eleitor, a auditoria não muda o horário nem a ordem de votação. Ela funciona como controle adicional do sistema. Informações sobre locais, regras e fiscalização devem ser buscadas nos portais do TSE e do TRE-ES. Mensagens de redes sociais sem documento ou sem indicação do procedimento não substituem os registros oficiais da comissão.
O preenchimento prévio das cédulas evita que os operadores escolham votos durante o teste e cria uma referência independente para a comparação final. Como as urnas de lona são lacradas, os fiscais podem acompanhar a origem do conjunto usado ao longo do dia. A repetição de centenas de operações ajuda a testar a estabilidade do equipamento sob uso continuado, enquanto o boletim impresso fornece um resultado verificável sem depender de consulta a um servidor externo. O método é apenas uma das camadas de controle e se soma à inspeção dos códigos, às assinaturas digitais e aos registros de cada seção eleitoral.
Em resumo
Elas fornecem votos em papel previamente conhecidos para comparação com o resultado das urnas submetidas ao teste de integridade.
Representantes de entidades fiscalizadoras, partidos, federações e coligações foram chamados para a cerimônia.
Das 8h às 17h do dia da eleição, paralelamente à votação oficial, mas em ambiente separado.
Não. As urnas auditadas são separadas da votação oficial e os registros do teste não interferem na eleição.
O boletim emitido pela urna deve corresponder exatamente aos votos anotados nas cédulas de papel.
Confirma, antes da abertura da seção, que o sistema instalado é o mesmo autorizado e assinado pela Justiça Eleitoral.