TRE-RJ, não Mendonça, mudou locais de votação
Publicações atribuíram falsamente ao ministro uma decisão tomada pelo tribunal regional em agosto por razões de segurança, acessibilidade e estrutura.

É falsa a afirmação de que o ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tenha determinado a mudança de locais de votação no Complexo da Maré para prejudicar uma candidatura. As alterações foram decididas pelo TRE-RJ e anunciadas em agosto, antes do primeiro turno.
A checagem do g1 identificou a atribuição enganosa nas redes sociais. O UOL Confere publicou conclusão semelhante, e a plataforma Fato ou Boato da Justiça Eleitoral confirmou oficialmente que Mendonça não tomou a decisão. Os registros do TRE-RJ detalham datas, alcance e justificativas das mudanças.
Ao todo, o tribunal regional alterou 277 locais de votação em relação às eleições de 2024, medida que alcançou cerca de 670 mil eleitores fluminenses. O conjunto incluiu ajustes por acessibilidade, fechamento de estabelecimentos, problemas estruturais e segurança.
Mudanças começaram em agosto
Em 4 de agosto, o TRE-RJ anunciou a substituição de 72 locais por motivos de segurança, com impacto sobre aproximadamente 202 mil eleitores de 20 municípios. A decisão foi atribuída pelo próprio tribunal ao presidente da Corte, desembargador Claudio de Mello Tavares, após análise de um grupo integrado por autoridades eleitorais e órgãos de segurança.
Os novos endereços deveriam ficar fora de áreas controladas pelo tráfico ou por milícias, afastados de territórios em confronto e tão próximos quanto possível dos pontos anteriores. Em 15 de agosto, o órgão divulgou o balanço ampliado de 277 alterações.
No Complexo da Maré, seis locais foram transferidos, alguns para fora do território da comunidade. A mudança provocou críticas de moradores e dificuldades no dia da votação, mas esses efeitos não alteram a autoria administrativa da medida nem comprovam interferência de Mendonça.
O tribunal recomendou que os eleitores consultassem previamente o local e a seção pelo site oficial, pelo e-Título ou pelos canais de atendimento. A divulgação pública em agosto também contraria a alegação de que a alteração teria sido feita secretamente às vésperas da eleição.
Boato distorceu decisão regional
A publicação falsa usou a imagem do presidente Lula e afirmou que Mendonça havia autorizado a retirada de seções de uma comunidade majoritariamente lulista. Ao misturar uma reportagem real sobre os transtornos na Maré com uma autoria inexistente, o conteúdo produziu uma acusação política sem respaldo documental.
Os documentos disponíveis permitem separar duas discussões: o impacto concreto das transferências sobre os moradores e a responsabilidade pela decisão. A primeira pode ser questionada publicamente; a segunda está registrada em atos do TRE-RJ. Atribuir a medida ao vice-presidente do TSE, portanto, transforma crítica legítima em desinformação.
Em resumo
Não. A decisão foi tomada pelo TRE-RJ e divulgada oficialmente em agosto de 2026.
O tribunal alterou 277 locais de votação em relação ao pleito de 2024.
As mudanças alcançaram cerca de 670 mil eleitores no Estado do Rio de Janeiro.
As razões incluíram segurança, acessibilidade, problemas estruturais e fechamento ou mudança de estabelecimentos.
Os anúncios ocorreram em 4 e 15 de agosto, semanas antes do primeiro turno de 4 de outubro.