Segurança Pública · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Denúncias dizem que Tropa do Urso monitorava polícia de Colatina por WhatsApp

Três denúncias do MPES atribuem a 42 integrantes do grupo uma rede de alertas sobre viaturas, blitzes e operações; sete denunciados são apontados como foragidos.

Denúncias dizem que Tropa do Urso monitorava polícia de Colatina por WhatsApp
Agentes durante a Operação Churchill, deflagrada em julho contra investigados da Tropa do Urso. Foto: divulgação/Polícia Civil do ES.

COLATINA. Três denúncias apresentadas pelo Ministério Público do Espírito Santo atribuem a 42 integrantes da chamada Tropa do Urso o uso de um grupo de WhatsApp para monitorar, em tempo real, a movimentação das polícias Militar e Civil em Colatina. Segundo os documentos descritos por A Gazeta nesta segunda-feira, 21 de setembro, os alertas serviriam para evitar abordagens e apreensões e manter o comércio de drogas em bairros do município.

As acusações ainda serão submetidas ao Judiciário e não equivalem a condenação. Conforme a reportagem, 31 denunciados estavam presos temporariamente, quatro cumpriam prisão domiciliar e sete eram considerados foragidos, entre eles pessoas apontadas pelo MPES como líderes do grupo. A Promotoria pediu a conversão das prisões em preventivas, decisão que cabe à Justiça.

O grupo de mensagens teria o nome “Foco, Força e Fé”. A denúncia afirma que participantes compartilhavam informações sobre viaturas, blitzes, prisões, deslocamentos e operações policiais. Os avisos permitiriam interromper vendas, esconder drogas e armas e reduzir o risco de flagrantes. A apuração menciona atividades em bairros como Vista da Serra, Perpétuo Socorro e Bela Vista.

Operação Churchill prendeu mais de 30 em julho

O material recolhido na Operação Churchill, deflagrada em 23 de julho, embasa parte das acusações. A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Narcóticos da 15ª Delegacia Regional de Colatina e cumpriu ordens judiciais em Colatina, Cariacica, Aracruz, Serra e Águia Branca. A Polícia Civil informou, na ocasião, que mais de 30 pessoas foram presas e cerca de 105 agentes participaram.

Segundo a Polícia Civil, a investigação começou em abril de 2025. A corporação disse que o nome da operação fazia alusão à cidade canadense de Churchill, conhecida pela concentração de ursos. A operação teve apoio da Polícia Militar, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais, de unidades regionais e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo.

A denúncia descreve uma estrutura que iria além dos alertas sobre a polícia. O MPES sustenta que o grupo mantinha comando central, gerências intermediárias, pontos de venda e um braço logístico para fazer circular drogas entre fornecedores, depósitos e vendedores. Também são citadas contas de terceiros e chaves Pix usadas, segundo a acusação, para receber valores e pagar fornecedores.

Acusação cita drogas, armas e recrutamento de adolescentes

Entre as drogas mencionadas nos documentos estão cocaína, crack, maconha, ecstasy e lança-perfume. A acusação afirma ainda que armas eram guardadas em locais diferentes e deslocadas quando o sistema de alertas indicava aproximação policial. Também haveria recrutamento cotidiano de adolescentes para venda e tarefas de apoio, ponto que exigirá prova individualizada no processo.

A Promotoria aponta Colatina como centro das operações e cita Serra como local de abastecimento de entorpecentes. São Roque do Canaã aparece como área com célula de comercialização e guarda, enquanto a Grande Vitória seria rota logística. O Rio de Janeiro é descrito como origem de armas e drogas sintéticas e local de refúgio de lideranças. Todas essas afirmações integram a tese acusatória e devem ser confrontadas pelas defesas.

Os 42 denunciados respondem, conforme o caso, por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. A responsabilidade penal é individual: a presença em um grupo de mensagens, isoladamente, não substitui a demonstração de conduta, vínculo, intenção e participação atribuída a cada acusado. Os nomes não são reproduzidos nesta reportagem porque a íntegra das denúncias e das respostas defensivas não está disponível nas fontes abertas consultadas.

Processos distintos e próximos passos

Há outro processo relacionado à Tropa do Urso em que 13 integrantes foram condenados pela 1ª Vara Criminal de Colatina e um acusado foi absolvido, segundo A Gazeta e reportagem exibida pela TV Gazeta. Esse julgamento não deve ser confundido com as três novas denúncias contra 42 pessoas: tratam-se de procedimentos com recortes e estágios diferentes.

Nos processos atuais, a Justiça deverá decidir sobre o recebimento das denúncias e sobre os pedidos de prisão preventiva. Depois, se as acusações forem aceitas, haverá espaço para resposta das defesas, produção de provas, depoimentos e eventual julgamento. Medidas cautelares podem ser revistas ao longo da tramitação, de acordo com decisões fundamentadas.

O ponto central a ser testado é se os dados de celulares, diligências e interrogatórios demonstram a existência da rede descrita pelo Ministério Público e a participação individual dos denunciados. Até decisão definitiva, prevalece a presunção de inocência. Informações sobre foragidos ou mudanças nas prisões também podem ser atualizadas pelas autoridades.

Em resumo

O que as denúncias atribuem à Tropa do Urso?

Segundo o MPES, integrantes usavam um grupo de WhatsApp para avisar sobre viaturas, blitzes, prisões e operações policiais em Colatina.

Quantas pessoas foram denunciadas?

As três denúncias citadas por A Gazeta reúnem 42 acusados.

Quantos denunciados estavam presos?

A reportagem informa 31 presos temporariamente, quatro em prisão domiciliar e sete apontados como foragidos.

O que foi a Operação Churchill?

Foi uma operação da Polícia Civil deflagrada em 23 de julho contra investigados da Tropa do Urso, com mais de 30 prisões informadas na ocasião.

As denúncias já significam condenação?

Não. As acusações precisam ser analisadas pela Justiça, e cada denunciado tem direito de defesa e presunção de inocência.

Quais são os próximos passos?

A Justiça deve decidir sobre o recebimento das denúncias e os pedidos cautelares; se aceitas, haverá instrução, defesa e julgamento.

Fontes