Tecnologia · 2026-10-05 · Redação Notícia ES

Trump cria força-tarefa federal para inteligência artificial

Grupo liderado por Jay Clayton deverá coordenar a política de IA dos Estados Unidos e apresentar um relatório em 120 dias.

Trump cria força-tarefa federal para inteligência artificial
Trump cria força-tarefa federal para inteligência artificial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (4) uma força-tarefa para coordenar a política federal de inteligência artificial. Batizado de Super Intelligence Force, o grupo será liderado pelo diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, e terá 120 dias para apresentar um relatório.

A Veja detalhou a iniciativa nesta segunda-feira (5). A Associated Press confirmou a composição principal do colegiado, sua vinculação direta à Casa Branca e a intenção de reunir governo, empresas de tecnologia, consumidores e organizações da sociedade civil.

Trump passou a usar a expressão “superinteligência” para se referir à inteligência artificial. Apesar do nome, o anúncio não descreve um novo tipo de sistema computacional; trata-se de uma estrutura de coordenação política e administrativa dentro do governo norte-americano.

Grupo reúne quatro áreas

Além de Clayton, integram a liderança Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio; Emil Michael, responsável pela área de pesquisa e engenharia do Pentágono; e Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoal. A composição combina inteligência, defesa, fiscalização econômica e administração pública.

O grupo responderá ao presidente e à chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles. Segundo o anúncio, a força-tarefa deverá consultar empresas de IA, provedores de infraestrutura crítica, consumidores, organizações religiosas e entidades de interesse público.

Essa variedade de participantes reflete o alcance da tecnologia. Modelos avançados já afetam segurança cibernética, serviços públicos, trabalho, consumo e defesa. Ao mesmo tempo, decisões sobre padrões técnicos e responsabilização envolvem órgãos com competências diferentes, o que aumenta a necessidade de coordenação.

A criação do colegiado ocorreu depois de uma reunião da Casa Branca com executivos do setor. Empresas assinaram um compromisso voluntário de segurança, baseado em controles internos, auditorias externas e revisões em nível de conselho, mas sem o peso de uma lei aprovada pelo Congresso.

Relatório deve orientar governo

O prazo de 120 dias deverá ser usado para avaliar riscos e oportunidades da inteligência artificial e recomendar qual papel o governo federal deve exercer. A Reuters informou que o trabalho também examinará mecanismos existentes de comunicação de incidentes, como invasões, falhas de segurança e uso malicioso de sistemas.

O anúncio não detalhou poderes de fiscalização nem criou, por si só, novas obrigações para as empresas. Esse ponto separa a coordenação administrativa da regulação formal: a força-tarefa pode propor medidas e organizar respostas, mas mudanças legais dependem de atos do Executivo dentro de sua competência ou de votação no Congresso.

A estratégia de Trump privilegia a liderança tecnológica dos Estados Unidos e evita regras que, segundo o governo, poderiam reduzir a capacidade de competir com a China. Críticos dessa abordagem defendem salvaguardas obrigatórias diante da velocidade de desenvolvimento dos modelos e dos possíveis impactos sociais.

A escolha de Clayton também aproxima a política de IA da agenda de segurança nacional. Como diretor de Inteligência Nacional, ele coordena órgãos responsáveis por ameaças externas e cibernéticas, experiência que deverá influenciar a avaliação de riscos a redes de energia, bancos, sistemas públicos e defesa.

Os próximos marcos serão a divulgação do documento final e a indicação de quais recomendações poderão ser executadas pela Casa Branca. Até lá, o alcance concreto da Super Intelligence Force dependerá do acesso a dados, da participação das empresas e da cooperação entre os órgãos que compõem o grupo.

Em resumo

O que é a Super Intelligence Force?

É uma força-tarefa criada para coordenar a política federal de inteligência artificial dos Estados Unidos.

Quem liderará o grupo?

A liderança ficará com Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional.

Qual é o prazo do trabalho?

A força-tarefa terá 120 dias para apresentar um relatório sobre riscos, oportunidades e o papel do governo.

Quem integra a liderança?

Além de Clayton, participam Andrew Ferguson, Emil Michael e Scott Kupor.

A força-tarefa já criou novas regras para empresas?

Não. O anúncio organizou a coordenação do governo, mas não estabeleceu novas obrigações legais para o setor.

Fontes