TSE lança ChatVote, assistente de IA para dúvidas sobre as eleições
Ferramenta oficial responde em linguagem natural no portal do TSE e no e-Título, com aviso de uso de inteligência artificial.

O Tribunal Superior Eleitoral lançou na terça-feira (22), em Brasília, o ChatVote, assistente virtual com inteligência artificial criado para responder, durante 24 horas por dia, perguntas dos eleitores sobre as Eleições 2026 no portal do tribunal e no aplicativo e-Título. A ferramenta permite escrever dúvidas em linguagem natural sobre data, horário e local de votação, justificativa eleitoral, convocação de mesários, normas e serviços da Justiça Eleitoral.
O ChatVote é apresentado pelo TSE como o primeiro chatbot desenvolvido internamente pelo tribunal. A Justiça Eleitoral já ofereceu assistentes em eleições anteriores, inclusive no WhatsApp, mas a nova versão abandona a dependência de menus fixos e interpreta perguntas abertas. O projeto foi conduzido pela área de dados com participação da tecnologia da informação, da comunicação e das unidades responsáveis pelo conteúdo eleitoral.
O lançamento ocorre em uma campanha marcada pelo uso intenso de sistemas generativos e pela preocupação com respostas falsas produzidas por modelos de linguagem. Segundo o TSE, a ferramenta identifica para o usuário que emprega inteligência artificial e recomenda a consulta às fontes oficiais quando houver incerteza. Leis, resoluções, decisões e informações publicadas nos canais institucionais continuam prevalecendo sobre a resposta do assistente.
Busca em linguagem natural substitui menus extensos
Em vez de escolher sucessivas opções numeradas, o eleitor pode formular uma pergunta como faria a uma pessoa. Essa mudança tende a facilitar o acesso de quem não conhece o nome exato de um serviço ou a estrutura do portal. A resposta pode direcionar o usuário a conteúdos oficiais e reunir instruções que antes exigiam percorrer páginas diferentes.
O escopo divulgado inclui as dúvidas mais comuns do calendário eleitoral: quando e onde votar, como justificar a ausência, quais são as funções dos mesários e onde localizar regras aprovadas pelo tribunal. A disponibilidade no e-Título aproxima o assistente de um aplicativo já usado para documentos e serviços eleitorais, enquanto a versão web atende quem prefere o navegador.
A utilidade depende, contudo, da precisão. Um chatbot pode interpretar mal uma pergunta, misturar regras de eleições diferentes ou produzir uma resposta que pareça segura sem estar completa. Por isso, o TSE informou que acompanhará a qualidade das interações e os temas pesquisados. O monitoramento permite corrigir conteúdo recorrente e identificar assuntos que ainda não foram explicados de forma suficiente.
Transparência é parte da segurança do serviço
O aviso de que há inteligência artificial envolvida é relevante porque impede que o usuário confunda uma resposta automática com decisão judicial ou atendimento humano. A Advocacia-Geral da União e o próprio TSE já publicaram orientação sobre uso responsável de IA no processo eleitoral, com ênfase em transparência, supervisão e prevenção de riscos à integridade da informação.
Para assuntos simples, como horários e caminhos de serviço, o assistente pode reduzir filas e tornar a informação acessível fora do expediente. Em temas jurídicos, candidaturas, propaganda, prestação de contas ou situações individuais, a resposta deve ser tratada como orientação inicial. O eleitor, partido ou candidato precisa consultar a resolução aplicável e, quando necessário, buscar atendimento da Justiça Eleitoral ou orientação profissional.
O tribunal não divulgou, no anúncio, detalhes técnicos como o modelo utilizado, o processo completo de recuperação das fontes ou a política de retenção das conversas. Essas informações ajudam especialistas e cidadãos a avaliar limites, privacidade e possibilidade de auditoria. A confiança no serviço tende a crescer quando o usuário consegue saber de onde veio uma resposta e quando ela foi atualizada.
WhatsApp, avaliação e voz estão no roteiro
Entre as evoluções previstas estão um mecanismo para o usuário avaliar a resposta, integração ao WhatsApp e testes de interação por voz. A avaliação cria um sinal direto para localizar erros ou explicações pouco úteis. O WhatsApp amplia o alcance, mas também exige identificação clara da conta oficial, já que golpistas costumam imitar serviços públicos em mensagens.
A versão por voz pode facilitar o uso por pessoas com baixa familiaridade com digitação ou necessidades de acessibilidade. Para cumprir esse objetivo, porém, o sistema precisa reconhecer sotaques, ruído e diferentes formas de formular a mesma questão. Testes públicos e acompanhamento humano serão decisivos para evitar que conveniência seja confundida com garantia de resposta correta.
Até que essas funções sejam incorporadas, o ChatVote já pode ser consultado no portal do TSE e no e-Título. O próximo teste será prático: responder com clareza durante o aumento da procura que antecede 4 de outubro. Ao eleitor, vale conferir o domínio oficial, não fornecer senhas e comparar orientações sensíveis com a página ou a norma indicada pelo próprio tribunal.
Em resumo
É o assistente virtual oficial do TSE que usa inteligência artificial para responder dúvidas sobre as Eleições 2026 em linguagem natural.
A ferramenta pode ser acessada no portal do TSE e pelo aplicativo e-Título, durante 24 horas por dia.
Ele informa sobre data, horário e local de votação, justificativa, trabalho de mesários, normas e perguntas frequentes da Justiça Eleitoral.
Não. O próprio TSE orienta que normas, decisões e canais oficiais prevalecem quando houver dúvida ou divergência.
Sim. Segundo o TSE, o assistente avisa o usuário sobre o uso de IA e recomenda consulta aos canais oficiais em situações de incerteza.
O TSE prevê avaliação das respostas pelos usuários, integração ao WhatsApp e testes de interação por voz.