TSE não localiza conteúdos citados em canal de Janones
Relatório técnico examinou publicações disponíveis entre 2 e 11 de outubro e não encontrou as mensagens indicadas pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral informou nesta segunda-feira (12) que não localizou, no canal de WhatsApp administrado pelo deputado André Janones, as publicações apontadas pela campanha de Flávio Bolsonaro como falsas. A análise abrangeu o material disponível entre 2 e 11 de outubro.
O fato foi relatado inicialmente pela BBC News Brasil e confirmado pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, que tiveram acesso às conclusões técnicas juntadas ao processo eleitoral. As três apurações registram que o exame não equivale a uma certificação integral do canal, pois parte do histórico não estava mais disponível e vídeos não foram transcritos no prazo da análise urgente.
Relatório delimita alcance da análise
A verificação foi determinada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, depois de a campanha de Flávio afirmar que o canal “Exército do Lula” reproduzia conteúdos já considerados ilícitos pela Justiça Eleitoral. A equipe técnica comparou as publicações acessíveis com o material descrito nos autos.
Segundo o relatório reproduzido pelas fontes, não foram encontradas novas mensagens idênticas ou substancialmente equivalentes às alegações examinadas. A ressalva é relevante: a consulta pública não permitiu reconstruir todo o histórico, e o trabalho urgente deixou de transcrever o conteúdo de alguns vídeos.
A equipe também observou linguagem polarizadora e uma estrutura com grande capacidade de circulação. O canal reúne mais de três milhões de inscritos, combina orientações de mobilização com alto potencial de encaminhamento e pode ampliar rapidamente o alcance de uma publicação.
Essas características foram tratadas como fatores de risco para a integridade do debate eleitoral, mesmo sem a localização das mensagens específicas indicadas na representação. O documento, portanto, separa duas conclusões: não confirmou o conteúdo denunciado no período acessível, mas recomendou atenção à escala e ao padrão de mobilização.
Caso segue sob análise eleitoral
O episódio começou quando Nunes Marques determinou a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento e encaminhou o caso para exame mais amplo no tribunal.
Cueva manteve a proibição de republicar conteúdos que já haviam sido considerados falsos em decisões anteriores. Também advertiu que uma nova infração poderia levar a outra suspensão. A medida preservou o canal enquanto o processo e as provas são discutidos.
A campanha de Flávio contesta o alcance do relatório e afirma que publicações teriam sido apagadas antes da verificação. Essa alegação ainda precisa ser avaliada a partir de elementos técnicos e processuais capazes de demonstrar quais mensagens existiram, quando foram removidas e se correspondem ao material indicado na ação.
O ponto objetivo disponível nesta segunda-feira é mais restrito: entre as publicações que a equipe conseguiu examinar, o TSE não achou os conteúdos citados pela campanha. A definição sobre responsabilidade, eventual remoção de mensagens e medidas futuras depende do andamento da ação e da apreciação dos ministros.
Em resumo
A equipe não localizou, nas publicações acessíveis, os conteúdos indicados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
O relatório analisou o material disponível no canal entre 2 e 11 de outubro de 2026.
Não. Parte das publicações havia sido apagada e alguns vídeos não foram transcritos durante o exame urgente.
Sim. Ricardo Villas Bôas Cueva restabeleceu o canal, mas proibiu a republicação de conteúdos já julgados falsos.
Não. As alegações, as provas e eventuais medidas adicionais ainda dependem da análise do TSE.