Justiça · 2026-10-13 · Redação Notícia ES

TSE reúne campanhas para conter disputa judicial no segundo turno

Nunes Marques chama equipes jurídicas de Lula e Flávio Bolsonaro após tribunal receber ao menos 85 processos na primeira semana da etapa final

TSE reúne campanhas para conter disputa judicial no segundo turno
TSE reúne campanhas para conter disputa judicial no segundo turno

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, marcou para esta terça-feira (13), às 15h30, uma reunião com as equipes jurídicas das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro ocorre depois de uma semana de intensa judicialização do segundo turno presidencial.

A convocação foi noticiada pelo Jornal Nacional, do g1, e confirmada pelo UOL, que informou haver ao menos 85 processos apresentados ao tribunal desde o início da etapa final da eleição. Advogados das duas candidaturas foram chamados para tratar de propaganda irregular, desinformação, inteligência artificial e pedidos de retirada de publicações.

A iniciativa procura criar um canal direto entre o comando da Justiça Eleitoral e as campanhas, enquanto decisões urgentes se acumulam. Parte das ações envolve vídeos manipulados, anúncios pagos e conteúdos publicados em redes sociais. Também há contestações sobre o uso de canais digitais ligados a apoiadores dos candidatos.

Tribunal enfrenta avalanche processual

A primeira semana do segundo turno expôs uma disputa jurídica quase simultânea à campanha nas ruas e na televisão. As coligações passaram a recorrer ao TSE para pedir liminares capazes de interromper a circulação de peças consideradas falsas ou irregulares antes que alcancem um público maior.

Um dos focos recentes é o canal chamado “Exército do Lula”, citado em ações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. Houve decisões diferentes sobre o tratamento do material, e o plenário do tribunal passou a examinar os recursos. O TSE também cobrou esclarecimentos antes de analisar pedidos relacionados ao canal e a publicações do deputado André Janones.

Em outra frente, a Justiça Eleitoral determinou a remoção de vídeos falsos e vetou impulsionamentos pagos que descumpriam regras da propaganda. Medidas desse tipo exigem análise rápida, porque uma publicação pode se espalhar em poucas horas. Ao mesmo tempo, a pressa não elimina a obrigação de ouvir as partes e fundamentar cada ordem.

Reunião busca regras previsíveis

O encontro desta terça-feira não substitui o julgamento dos processos nem antecipa a posição dos ministros. A expectativa é alinhar procedimentos, reduzir dúvidas sobre as normas aplicáveis e evitar que as campanhas apresentem sucessivos pedidos sobre questões que poderiam ser resolvidas com orientações mais claras.

Nunes Marques assumiu a presidência do TSE em agosto e conduz a corte durante a eleição de 2026. Como presidente, ele organiza a pauta e representa institucionalmente o tribunal, mas as ações continuam sob responsabilidade dos relatores e, quando levadas ao colegiado, dos demais ministros.

A reunião também poderá definir formas de comunicação para situações urgentes, especialmente em casos de inteligência artificial e desinformação. Esses temas colocam a Justiça Eleitoral diante de dois riscos: permitir que conteúdo comprovadamente falso permaneça no ar ou adotar restrições amplas que atinjam manifestação política legítima.

O resultado prático dependerá do compromisso das campanhas com as orientações apresentadas. Mesmo que o número de ações continue alto, um procedimento comum pode diminuir decisões contraditórias e dar mais previsibilidade à fase decisiva da eleição presidencial.

Em resumo

Quando será a reunião no TSE?

O encontro foi marcado para terça-feira, 13 de outubro de 2026, às 15h30.

Quem participará da reunião?

Foram chamadas as equipes jurídicas das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.

Por que o encontro foi convocado?

O tribunal recebeu ao menos 85 processos na primeira semana do segundo turno e busca organizar o tratamento das disputas.

Quais temas serão discutidos?

Propaganda irregular, desinformação, inteligência artificial e remoção de conteúdos estão entre os assuntos.

A reunião decide os processos?

Não. Cada ação continuará a ser analisada pelo relator ou pelo colegiado competente.

Fontes