TSE suspende propaganda que associa Flávio ao caso Master
Liminar de Nunes Marques determinou a retirada imediata de peças da campanha de Lula até o julgamento do mérito da representação eleitoral.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu no sábado, 10 de outubro, propagandas da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva que associavam Flávio Bolsonaro ao Banco Master. A liminar ordenou a retirada imediata das peças do horário eleitoral gratuito até o julgamento do mérito.
O g1 noticiou a decisão neste domingo. O UOL confirmou o alcance da medida e informou que o ministro considerou insuficiente o suporte apresentado para imputações criminais feitas contra Flávio e contra o candidato a vice Alfredo Gaspar, também citado nas inserções contestadas.
Uma das peças mencionava negociações envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A reportagem do UOL registra que mensagens tornadas públicas indicaram uma negociação de US$ 24 milhões e transferências de US$ 10,6 milhões, enquanto a produtora responsável pelo projeto negou ter recebido dinheiro do Banco Master.
Liminar aponta omissões relevantes
Ao analisar o pedido, Nunes Marques entendeu que a propaganda apresentou acusações sem informar elementos considerados essenciais para a compreensão do eleitor. A decisão citou o artigo 242 da Lei das Eleições, que impede o emprego de meios publicitários destinados a criar artificialmente estados mentais, emocionais ou passionais e veda calúnia, difamação e injúria na propaganda.
O segundo trecho suspenso relacionava Alfredo Gaspar a uma acusação de estupro de vulnerável surgida durante a CPMI do INSS. Segundo a apuração adicional, o Supremo Tribunal Federal arquivou o pedido de investigação depois de manifestação da Procuradoria-Geral da República que apontou falta de provas e contradições nos depoimentos.
Para o presidente do TSE, omitir o arquivamento alterava o quadro apresentado ao público. A ordem não autorizou a manutenção parcial das inserções: determinou a retirada do material questionado enquanto a representação eleitoral continua sob análise.
Julgamento do mérito segue pendente
A medida é provisória. Ela interrompe a circulação das propagandas, mas não encerra o processo nem estabelece uma conclusão definitiva sobre todos os fatos citados na campanha. O colegiado ainda poderá confirmar, modificar ou revogar a liminar quando examinar o mérito.
Decisões eleitorais dessa natureza avaliam o conteúdo e a forma da propaganda diante das regras da disputa. Por isso, o debate jurídico não se confunde com uma investigação criminal completa sobre o Banco Master ou com uma decisão final sobre os envolvidos nas mensagens divulgadas.
A campanha de Lula terá oportunidade de apresentar sua defesa e os elementos usados para construir as inserções. A campanha adversária, por sua vez, poderá sustentar que as peças ultrapassaram a crítica política e atribuíram condutas criminosas sem o contexto exigido pela Justiça Eleitoral.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o tempo de exibição tem efeito imediato sobre a comunicação das candidaturas. Até nova decisão, as peças que associavam Flávio ao caso Master e Gaspar à acusação arquivada permanecem fora do horário eleitoral.
Em resumo
Propagandas da campanha de Lula que associavam Flávio Bolsonaro ao Banco Master e Alfredo Gaspar a uma acusação arquivada.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
O ministro apontou imputações sem suporte mínimo suficiente e omissão de informações relevantes para o eleitor.
Não. A liminar vale até o julgamento do mérito da representação eleitoral.
A votação presidencial está marcada para 25 de outubro de 2026.