Política Nacional · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

TSE leva urna às ruas para treinar eleitorado com mais de 70 anos

Ações em Maceió e Salvador permitem simular a votação, conhecer a urna e organizar a sequência dos seis cargos em disputa.

TSE leva urna às ruas para treinar eleitorado com mais de 70 anos
Pessoas com 70 anos ou mais participam de treinamento eleitoral em Maceió. Crédito: Luiz Roberto/Secom/TSE.

A Justiça Eleitoral levou urnas eletrônicas a espaços públicos de Maceió e Salvador para que eleitores com 70 anos ou mais pudessem simular a votação, tirar dúvidas e conhecer o equipamento antes do primeiro turno. As ações ocorreram no fim de semana e foram divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira (21), a treze dias da votação de 4 de outubro.

Em Maceió, o “Rolê com a Pilili”, organizado pelo TRE de Alagoas, instalou uma urna na orla. Participantes praticaram a sequência dos cargos, receberam orientação sobre a colinha eleitoral e viram a estrutura interna do equipamento. Em Salvador, o TRE da Bahia realizou atividade semelhante na Praça Thomé de Souza, no centro da cidade.

O foco no público mais velho tem relação com uma regra específica: a partir dos 70 anos, o voto é facultativo. Isso não reduz o direito de participar. Ao contrário, a Justiça Eleitoral busca diminuir barreiras que podem desestimular o comparecimento, como dúvida sobre a ordem, receio de errar e pouca familiaridade com recursos digitais.

Seis escolhas na urna

Em 2026, o eleitor votará para deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. A quantidade de números e cargos torna a preparação útil para todas as idades. Uma colinha em papel é permitida e ajuda a acelerar o atendimento; telefone celular não pode ser levado para a cabine.

A professora Tânia Maria Corrêa, ouvida na ação de Maceió, disse que queria confirmar a sequência e que o treinamento deixou o processo mais fácil. Navarro Machado, de 71 anos, destacou a utilidade da colinha e comparou a urna com o período da votação em cédula de papel, quando atuou como mesário.

O exercício usa candidaturas fictícias. Assim, a atividade ensina o procedimento sem promover partido ou candidato. Essa separação é essencial: a Justiça Eleitoral pode orientar sobre o voto, mas não deve influenciar a escolha. Servidores e parceiros precisam garantir tratamento neutro.

Acessibilidade e confiança

O presidente do TRE-AL, Alcides Gusmão, afirmou que a aproximação reduz dúvidas e torna o voto mais consciente. O ministro substituto do TSE Nauê Bernardo Pinheiro de Azevedo disse que conhecer o funcionamento e a auditabilidade da urna ajuda a combater desinformação.

Apresentar o equipamento não substitui auditorias formais, mas permite que o cidadão faça perguntas concretas. Segurança eleitoral envolve procedimentos, testes, lacres, fiscalização e boletins de urna, não apenas a máquina. A atividade pública pode ser porta de entrada para essas informações.

Acessibilidade também exige local adequado, prioridade na fila e recursos da urna. Eleitores que precisam de auxílio devem comunicar a mesa receptora. A ajuda não pode violar o sigilo. Dificuldades de mobilidade, visão ou audição precisam ser tratadas com orientação e respeito à autonomia.

Participação ainda é desafio

Na Bahia, mais de um milhão de eleitores aptos têm entre 70 e 100 anos ou mais. Segundo o TSE, mais de 522 mil pessoas entre 70 e 89 anos não votaram no primeiro turno de 2022. O dado não prova uma causa única, mas mostra espaço para políticas de informação e acesso.

As ações somam-se a eventos anteriores em Copacabana e na Praça Mauá, no Rio de Janeiro. O modelo pode ser replicado, desde que haja equipamento preparado, equipe treinada e divulgação. Municípios com eleitorado envelhecido ou distância de cartórios podem se beneficiar.

O próximo passo é transformar o treinamento em comparecimento informado. Eleitores devem consultar seção e local no e-Título ou no Autoatendimento, separar documento com foto e chegar antes das 17h. Quem optar por não votar por ter 70 anos ou mais não precisa justificar, pois seu voto é facultativo; ainda assim, mantém plenamente o direito de participar.

O valor da iniciativa será medido pelo acesso real e pela redução de dúvidas no dia. Orientação não deve infantilizar pessoas idosas nem presumir incapacidade. Muitos têm experiência de várias eleições e buscam apenas atualizar procedimentos. A urna na rua funciona melhor quando cria diálogo, respeita escolhas e oferece informação verificável sobre cada etapa.

Em resumo

Onde ocorreram as ações?

Em Maceió e Salvador.

Qual era o público principal?

Eleitores com 70 anos ou mais.

O voto é obrigatório após os 70?

Não. É facultativo, mas o direito permanece.

Pode levar colinha?

Sim, em papel.

Pode usar celular na cabine?

Não.

O primeiro turno será quando?

Em 4 de outubro de 2026.

Fontes