TSE leva urna às ruas para treinar eleitorado com mais de 70 anos
Ações em Maceió e Salvador permitem simular a votação, conhecer a urna e organizar a sequência dos seis cargos em disputa.

A Justiça Eleitoral levou urnas eletrônicas a espaços públicos de Maceió e Salvador para que eleitores com 70 anos ou mais pudessem simular a votação, tirar dúvidas e conhecer o equipamento antes do primeiro turno. As ações ocorreram no fim de semana e foram divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira (21), a treze dias da votação de 4 de outubro.
Em Maceió, o “Rolê com a Pilili”, organizado pelo TRE de Alagoas, instalou uma urna na orla. Participantes praticaram a sequência dos cargos, receberam orientação sobre a colinha eleitoral e viram a estrutura interna do equipamento. Em Salvador, o TRE da Bahia realizou atividade semelhante na Praça Thomé de Souza, no centro da cidade.
O foco no público mais velho tem relação com uma regra específica: a partir dos 70 anos, o voto é facultativo. Isso não reduz o direito de participar. Ao contrário, a Justiça Eleitoral busca diminuir barreiras que podem desestimular o comparecimento, como dúvida sobre a ordem, receio de errar e pouca familiaridade com recursos digitais.
Seis escolhas na urna
Em 2026, o eleitor votará para deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. A quantidade de números e cargos torna a preparação útil para todas as idades. Uma colinha em papel é permitida e ajuda a acelerar o atendimento; telefone celular não pode ser levado para a cabine.
A professora Tânia Maria Corrêa, ouvida na ação de Maceió, disse que queria confirmar a sequência e que o treinamento deixou o processo mais fácil. Navarro Machado, de 71 anos, destacou a utilidade da colinha e comparou a urna com o período da votação em cédula de papel, quando atuou como mesário.
O exercício usa candidaturas fictícias. Assim, a atividade ensina o procedimento sem promover partido ou candidato. Essa separação é essencial: a Justiça Eleitoral pode orientar sobre o voto, mas não deve influenciar a escolha. Servidores e parceiros precisam garantir tratamento neutro.
Acessibilidade e confiança
O presidente do TRE-AL, Alcides Gusmão, afirmou que a aproximação reduz dúvidas e torna o voto mais consciente. O ministro substituto do TSE Nauê Bernardo Pinheiro de Azevedo disse que conhecer o funcionamento e a auditabilidade da urna ajuda a combater desinformação.
Apresentar o equipamento não substitui auditorias formais, mas permite que o cidadão faça perguntas concretas. Segurança eleitoral envolve procedimentos, testes, lacres, fiscalização e boletins de urna, não apenas a máquina. A atividade pública pode ser porta de entrada para essas informações.
Acessibilidade também exige local adequado, prioridade na fila e recursos da urna. Eleitores que precisam de auxílio devem comunicar a mesa receptora. A ajuda não pode violar o sigilo. Dificuldades de mobilidade, visão ou audição precisam ser tratadas com orientação e respeito à autonomia.
Participação ainda é desafio
Na Bahia, mais de um milhão de eleitores aptos têm entre 70 e 100 anos ou mais. Segundo o TSE, mais de 522 mil pessoas entre 70 e 89 anos não votaram no primeiro turno de 2022. O dado não prova uma causa única, mas mostra espaço para políticas de informação e acesso.
As ações somam-se a eventos anteriores em Copacabana e na Praça Mauá, no Rio de Janeiro. O modelo pode ser replicado, desde que haja equipamento preparado, equipe treinada e divulgação. Municípios com eleitorado envelhecido ou distância de cartórios podem se beneficiar.
O próximo passo é transformar o treinamento em comparecimento informado. Eleitores devem consultar seção e local no e-Título ou no Autoatendimento, separar documento com foto e chegar antes das 17h. Quem optar por não votar por ter 70 anos ou mais não precisa justificar, pois seu voto é facultativo; ainda assim, mantém plenamente o direito de participar.
O valor da iniciativa será medido pelo acesso real e pela redução de dúvidas no dia. Orientação não deve infantilizar pessoas idosas nem presumir incapacidade. Muitos têm experiência de várias eleições e buscam apenas atualizar procedimentos. A urna na rua funciona melhor quando cria diálogo, respeita escolhas e oferece informação verificável sobre cada etapa.
Em resumo
Em Maceió e Salvador.
Eleitores com 70 anos ou mais.
Não. É facultativo, mas o direito permanece.
Sim, em papel.
Não.
Em 4 de outubro de 2026.