Um terço dos doadores de Flávio financiou Jair
Levantamento nas contas eleitorais mostra que 34% dos doadores individuais de Flávio Bolsonaro em 2026 também contribuíram para Jair Bolsonaro em 2022; entre os apoiadores de Lula, a recorrência foi de 1,4%.

Um levantamento nas prestações de contas eleitorais identificou que 34% das pessoas que doaram diretamente à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026 também haviam financiado Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, oito apoiadores voltaram a contribuir, equivalentes a 1,4% dos doadores individuais registrados neste ano.
A análise foi publicada pelo g1 nesta sexta-feira (23), com base em dados do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral. O site Valeon Notícias também examinou os registros e confirmou os percentuais de recorrência e a diferença entre os dois grupos. Os números retratam declarações disponíveis durante o segundo turno e ainda podem receber atualizações.
Rede empresarial mantém continuidade
Entre os doadores recorrentes de Flávio, 19 fizeram contribuições superiores a R$ 100 mil em 2026. Treze desses depósitos ocorreram depois de 4 de outubro, data do primeiro turno, indicando uma mobilização financeira mais intensa na etapa decisiva da disputa presidencial.
O grupo inclui empresários que já haviam apoiado Jair Bolsonaro há quatro anos. Alexandre Grendene Bartelle, Fernando de Castro Marques e Gilson Lari Trennepohl aparecem entre os nomes com maiores transferências. As contribuições mais elevadas dessa rede ficaram entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, segundo os dados analisados.
A proporção de 34% mede a repetição de nomes nas duas eleições, e não a parcela do dinheiro que veio desses apoiadores. Também não permite concluir que todos mantiveram o mesmo valor ou a mesma forma de participação. O dado mostra continuidade de uma base de financiamento, enquanto os montantes revelam que parte dela aumentou a presença após o primeiro turno.
O resultado ajuda a separar dois aspectos das contas: quantidade de apoiadores e concentração financeira. Uma campanha pode receber recursos de muitas pessoas e, ao mesmo tempo, depender de um conjunto menor de grandes doadores. Por isso, a recorrência precisa ser lida junto com o valor de cada contribuição e a data em que foi realizada.
Lula preserva grupo ligado ao governo
Na campanha de Lula, os oito doadores que também contribuíram em 2022 incluem integrantes ou ex-integrantes de governos petistas, como Celso Amorim, Aloizio Mercadante e Miriam Belchior. Os repasses desse grupo em 2026 variaram de R$ 1 mil a R$ 27 mil.
A taxa de 1,4% indica uma renovação maior da lista de pessoas físicas em comparação com a campanha adversária. Isso não significa, isoladamente, que a candidatura tenha perdido apoio financeiro: o percentual considera apenas a repetição de nomes identificados nos registros e não abrange outras fontes de receita eleitoral, como transferências partidárias.
As diferenças também refletem estratégias distintas de captação. Enquanto Flávio reuniu um núcleo expressivo de empresários que já havia financiado a candidatura de seu pai, Lula manteve um grupo pequeno de apoiadores conhecidos e recebeu a maior parte das doações recorrentes em valores mais baixos.
As campanhas do segundo turno devem apresentar as contas finais até 14 de novembro. Até lá, novas doações e correções podem alterar tanto o número total de contribuintes quanto o grau de repetição em relação a 2022. A comparação publicada nesta sexta-feira deve ser entendida como uma fotografia dos dados declarados ao TSE, não como o balanço definitivo da eleição.
Em resumo
O levantamento identificou recorrência de 34% entre os doadores individuais das campanhas de 2026 e 2022.
Oito pessoas que contribuíram em 2022 voltaram a doar em 2026, equivalentes a 1,4% da base individual atual.
Treze dos 19 doadores recorrentes que deram mais de R$ 100 mil fizeram os depósitos depois do primeiro turno.
Celso Amorim, Aloizio Mercadante e Miriam Belchior estão entre os oito nomes identificados.
Não. As contas finais do segundo turno devem ser entregues até 14 de novembro e podem trazer atualizações.