Uni Soluções investe R$ 28 milhões para avançar no varejo
Fabricante de snacks de Caieiras prepara nova planta para triplicar a produção diária e equilibrar as vendas entre contratos corporativos e supermercados.

A Uni Soluções anunciou neste sábado (24) um investimento de R$ 28 milhões em uma nova fábrica em Caieiras, na Grande São Paulo. O projeto pretende ampliar a produção diária de 180 mil para 545 mil unidades e sustentar a entrada mais forte da companhia no varejo.
As informações foram publicadas pelo InfoMoney, que ouviu o fundador Vagner Gomes e detalhou os números do plano. A própria Uni Soluções confirma em seu site institucional que a expansão industrial foi desenhada para elevar capacidade, eficiência e alcance nacional, embora não apresente ali todos os valores divulgados na reportagem.
A construção terá 15 mil metros quadrados, ante os 2,8 mil metros quadrados da unidade atualmente em operação. A conclusão é prevista para junho de 2027. Se o cronograma for cumprido, a empresa poderá elevar o quadro de 178 funcionários para até 800 pessoas, combinando aumento de escala com novas linhas de alimentos e bebidas.
Fábrica sustenta nova estratégia
A companhia nasceu em 2008 e começou com o reempacotamento de kits promocionais. Em 2015, passou a verticalizar a fabricação. A trajetória oficial registra ainda a abertura da primeira fábrica própria em 2010 e a entrada no segmento de bebidas em 2020, etapas que ajudam a explicar a decisão de assumir uma estrutura maior.
Hoje, a Uni Soluções fornece produtos para companhias aéreas, hospitais, laboratórios e outros clientes corporativos. Segundo a apuração, esses canais colocam seus snacks diante de quase 6 milhões de consumidores por mês. Essa circulação funciona como vitrine: muitos compradores experimentam o produto em um serviço e depois procuram a marca fora dele.
O plano, porém, não se limita a vender mais do mesmo. A empresa separou o portfólio em marcas voltadas a diferentes nichos, com snacks, sucos sem açúcar, energéticos e bebidas gaseificadas funcionais. Também pretende oferecer produção de marcas próprias para grandes redes e entrar na panificação saudável com panetones sem glúten.
Varejo amplia desafio comercial
A passagem das vendas corporativas para as gôndolas muda a equação financeira. Contratos B2B entregam volume e recorrência, mas trabalham com margens mais apertadas. No varejo, o retorno por unidade pode ser maior, enquanto crescem os custos de publicidade, distribuição, posicionamento e disputa por espaço nos pontos de venda.
A meta de longo prazo é dividir o faturamento igualmente entre os dois canais. A companhia informou receita de R$ 38 milhões no último exercício e projeta manter crescimento anual entre 10% e 15%. A expansão exigirá que esse ritmo seja acompanhado por demanda suficiente para ocupar a capacidade adicional da fábrica.
A empresa declara atender cerca de 1.500 clientes corporativos ativos e operar entregas nacionais com frota própria em São Paulo e parceiros logísticos nos demais estados. O site institucional acrescenta que mais de 10 mil clientes já foram atendidos ao longo de sua história, indicador acumulado que não deve ser confundido com a carteira ativa.
O investimento mostra uma aposta clara em alimentos convenientes e funcionais, mas o resultado dependerá da execução até 2027. Além de concluir a obra, a Uni Soluções precisará transformar reconhecimento obtido em voos e hospitais em compras recorrentes no supermercado, sem enfraquecer o negócio corporativo que financiou sua expansão.
Em resumo
A companhia anunciou R$ 28 milhões para construir uma nova fábrica em Caieiras, na Grande São Paulo.
A meta é passar de 180 mil para 545 mil unidades produzidas por dia.
A conclusão da planta de 15 mil metros quadrados está prevista para junho de 2027.
No longo prazo, a administração pretende dividir o faturamento igualmente entre o canal corporativo e o varejo.
A empresa terá de converter exposição em voos e hospitais em vendas recorrentes no varejo, além de executar a obra e ampliar a distribuição.