Economia · 2026-09-27 · Redação Notícia ES

Unilever amplia automação em fábricas de alimentos no Brasil

Companhia afirma investir em capacidade, produtividade e tecnologia, com agentes de IA e impressão 3D na manutenção industrial.

Unilever amplia automação em fábricas de alimentos no Brasil
Unilever amplia automação em fábricas de alimentos no Brasil

A Unilever Alimentos está ampliando investimentos em capacidade produtiva, produtividade e tecnologia no Brasil, terceiro maior mercado da companhia no mundo. A estratégia inclui mais de 12 agentes de inteligência artificial usados para antecipar falhas em uma fábrica e impressão 3D de peças de manutenção nas duas unidades brasileiras da divisão.

Os planos foram apresentados pelo presidente da Unilever Alimentos, Rodrigo Visentini, em entrevista publicada pela CNN Brasil neste domingo (27). A Redação Notícia ES confrontou as informações com reportagem recente do portal V&C Garanhuns sobre a impressão 3D implantada na fábrica pernambucana e com dados institucionais da companhia sobre sua operação no país.

Visentini afirmou que a operação brasileira é a terceira maior da Unilever globalmente e que a divisão de alimentos está entre as cinco maiores do grupo. Segundo o executivo, os produtos dessa área chegam a nove de cada dez lares brasileiros, enquanto a Hellmann's, principal marca do portfólio citado, está presente em 7,4 milhões de residências.

A empresa não informou no material consultado o valor financeiro do novo ciclo de investimentos. Por isso, a expansão deve ser medida pelos projetos anunciados e pelos resultados industriais que possam ser verificados, não por uma cifra estimada. O plano declarado combina aumento de capacidade física com sistemas digitais capazes de reduzir paradas e custos.

Fábricas recebem manutenção inteligente

Na entrevista, o presidente da divisão disse que uma das fábricas já opera com mais de 12 agentes de IA destinados a prevenir quebras. Em ambiente industrial, esse tipo de sistema pode reunir dados de sensores, identificar alterações de temperatura ou vibração e alertar equipes antes que uma falha interrompa a linha. A decisão final e a manutenção permanecem sob responsabilidade dos profissionais.

Outro projeto atual é a fabricação de componentes por impressão 3D. O V&C Garanhuns informou em 21 de setembro que a iniciativa começou na unidade de Pernambuco e passou a atender as duas fábricas de alimentos da companhia no Brasil. A solução é usada para produzir peças localmente enquanto componentes definitivos são adquiridos ou quando a fabricação interna se mostra suficiente.

De acordo com os números atribuídos à empresa nessa segunda fonte, a impressão 3D pode reduzir em até 99% o custo de manutenção de determinadas peças e tem retorno estimado em dois anos. Os percentuais são projeções corporativas e dependem do tipo de componente, do material empregado e da comparação com o processo convencional de compra e usinagem.

A combinação de IA e impressão 3D encurta duas etapas diferentes. Os agentes digitais procuram sinais de desgaste antes da quebra; a manufatura aditiva reduz o tempo necessário para obter algumas peças. Quando funcionam em conjunto, as tecnologias podem diminuir o período em que equipamentos ficam parados e aumentar a previsibilidade da produção.

Consumo orienta expansão brasileira

A decisão de manter investimentos também está ligada ao tamanho do mercado. Visentini disse que a categoria de maioneses cresceu e que a Hellmann's dobrou de tamanho nos últimos três ou quatro anos. Ao mesmo tempo, a companhia observa pressão sobre o orçamento das famílias, com consumidores migrando para opções mais baratas ou reduzindo compras.

Esse cenário obriga a indústria a buscar produtividade sem depender apenas de aumentos de preço. Automatizar manutenção, reduzir estoques de peças e evitar interrupções ajuda a controlar custos, mas os efeitos precisam aparecer em indicadores como volume produzido, frequência de falhas, segurança dos trabalhadores e consumo de energia.

Os próximos resultados verificáveis serão a extensão dos projetos às linhas ainda não atendidas e a divulgação de ganhos efetivos de produção. Como a empresa não detalhou cronograma nem valor total, a evolução deverá ser acompanhada por anúncios de capacidade, dados financeiros e evidências de que as ferramentas implantadas saíram da fase experimental.

Em resumo

Em que a Unilever Alimentos está investindo?

A empresa afirma ampliar capacidade produtiva, produtividade e tecnologia nas operações brasileiras.

Como a inteligência artificial é usada nas fábricas?

Segundo o presidente da divisão, mais de 12 agentes de IA ajudam a identificar sinais de falha e prevenir quebras de equipamentos.

Qual é o papel da impressão 3D?

A tecnologia produz determinadas peças de manutenção localmente e já atende as duas fábricas de alimentos da companhia no Brasil.

A empresa informou o valor dos novos investimentos?

Não. As fontes consultadas descrevem as frentes de expansão, mas não apresentam uma cifra total para este ciclo.

Quais resultados poderão ser acompanhados?

Capacidade produtiva, redução de paradas, custo das peças, segurança industrial e expansão dos projetos para novas linhas.

Fontes