Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

URGENTE: Moraes editou contrato de R$ 131 milhões, apontam registros digitais

Registros técnicos de uma versão do contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes indicam edição por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O próprio escritório confirmou que o ministro teve acesso ao documento e fez alterações, segundo reportagem publicada nesta terça-feira.

URGENTE: Moraes editou contrato de R$ 131 milhões, apontam registros digitais
URGENTE: Moraes editou contrato de R$ 131 milhões, apontam registros digitais

O nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, voltou ao centro das revelações sobre as relações mantidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Reportagens publicadas nesta terça-feira, 1º de setembro, mostram que registros técnicos de uma versão do contrato firmado entre o banco e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, apontam que a última edição do arquivo foi feita por um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

A informação foi divulgada originalmente pelo O Estado de S. Paulo e confirmada por outros veículos que tiveram acesso aos dados revelados pela reportagem. O escritório Barci de Moraes informou que Alexandre de Moraes teve acesso ao documento e realizou alterações. A justificativa apresentada é que o ministro teria sido consultado, na condição de marido da sócia-diretora, para avaliar se havia eventual impedimento legal relacionado à contratação do Banco Master.

O ponto central da nova revelação é que não se trata apenas de um nome aparecendo em metadados sem contexto. O próprio escritório confirmou a participação de Moraes na análise do contrato. O que ainda não está esclarecido publicamente é quais trechos foram modificados, qual foi o alcance das alterações e se elas tiveram natureza jurídica, comercial ou meramente formal.

Contrato previa pagamentos milionários por três anos

Segundo as informações divulgadas, o acordo previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório durante 36 meses. Considerados os efeitos tributários, o valor bruto total poderia superar R$ 131 milhões.

O contrato foi firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. A contratação já havia se tornado alvo de questionamentos públicos em razão do valor e da relação do banco com figuras influentes de Brasília. O surgimento do nome de Alexandre de Moraes nos registros de edição amplia o interesse sobre a formação e a tramitação interna desse documento.

Isso, por si só, não comprova a prática de ilícito pelo ministro, por Viviane Barci de Moraes ou pelo escritório. Também não há, até o momento, elemento público que demonstre que Moraes tenha participado da definição dos valores ou das condições comerciais do contrato. A relevância da descoberta está justamente na confirmação de que ele analisou e alterou o documento.

Metadados registram alteração no Office 365

Os registros técnicos associados ao arquivo indicam uma edição às 23h04 de 15 de janeiro de 2024. O perfil associado à alteração aparece identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O autor original do arquivo, segundo os dados divulgados, aparece como Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório.

Há uma ressalva técnica importante: metadados identificam a conta ou o perfil usado na edição, mas não bastam, isoladamente, para provar quem estava fisicamente diante do equipamento. Neste caso específico, porém, essa limitação ganha contorno diferente porque o escritório confirmou que Alexandre de Moraes teve acesso ao contrato e fez alterações.

Segundo o UOL, a edição ocorreu depois de Daniel Vorcaro devolver uma minuta revisada e informar que havia incluído uma cláusula. A versão final teria sido modificada cerca de uma hora e quarenta minutos depois.

O que foi alterado?

A principal pergunta que permanece sem resposta é simples: o que exatamente Alexandre de Moraes modificou no contrato?

Até a publicação desta reportagem, não havia sido divulgada uma comparação integral entre as versões do documento capaz de mostrar, ponto a ponto, quais palavras, cláusulas ou condições foram alteradas.

Também não está claro quem solicitou formalmente a análise do ministro, se houve manifestação escrita da área de compliance, se existe parecer interno sobre eventual conflito de interesses ou se a participação de Moraes ficou limitada a uma consulta informal.

Essas são questões objetivas e passíveis de comprovação documental.

Arquivo estava no celular de Daniel Vorcaro

O contrato integra o material extraído do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. O conteúdo dos aparelhos do ex-controlador do Banco Master vem sendo analisado em investigações que alcançam relações mantidas pelo banqueiro com autoridades, empresários e integrantes do sistema político.

Documentos enviados ao Congresso também trouxeram novos dados sobre pagamentos feitos ao escritório. Segundo o UOL, materiais encaminhados à CPI do Crime Organizado indicam repasses superiores a R$ 80 milhões entre 2024 e 2025. O escritório contestou números oriundos de dados fiscais e afirmou não reconhecer valores que considera incorretos e decorrentes de vazamentos ilícitos.

Mensagens de Vorcaro ampliam pressão por esclarecimentos

A divulgação do contrato ocorre no mesmo momento em que mensagens apreendidas pela Polícia Federal voltam a aproximar o nome de Moraes da investigação sobre Vorcaro.

O ministro André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República informações sobre mensagens em que Vorcaro buscaria auxílio diante de ações da Polícia Federal e do Ministério Público. Segundo a Folha de S.Paulo, a PF suspeita que uma dessas comunicações tenha sido encaminhada a Alexandre de Moraes.

Não há, até aqui, comprovação pública de que Moraes tenha atendido a qualquer pedido atribuído ao banqueiro. Em episódios anteriores envolvendo mensagens de Vorcaro, Moraes negou ter recebido determinados conteúdos mencionados em reportagens.

Explicação do escritório

A versão apresentada pelo escritório Barci de Moraes é que Alexandre de Moraes foi consultado para verificar se havia impedimento legal para a contratação do Banco Master e concluiu que não existia conflito que impedisse o negócio.

A banca sustenta que, após essa análise, o contrato foi assinado e os serviços jurídicos foram prestados. A contratação, portanto, é apresentada pelo escritório como regular.

A explicação responde à razão geral pela qual o ministro teria acessado o arquivo, mas não detalha o conteúdo das alterações feitas por ele.

R$ 131 milhões elevam o interesse público

O valor potencial do contrato, a posição institucional de Alexandre de Moraes e o fato de o cliente ser uma instituição financeira cujo controlador posteriormente passou a ser alvo de investigação criminal tornam a documentação relevante para o debate público.

A existência do contrato, o valor previsto e a confirmação de que Moraes teve acesso ao documento não constituem, isoladamente, prova de irregularidade. Ao mesmo tempo, a revelação dos registros digitais torna legítima a cobrança por transparência sobre o conteúdo das mudanças e o procedimento adotado pelo escritório para avaliar eventuais impedimentos.

Até a divulgação das reportagens desta terça-feira, Alexandre de Moraes não havia apresentado manifestação pessoal detalhando o episódio. A defesa de Daniel Vorcaro também não comentou especificamente as novas informações sobre os metadados.

O fato confirmado até aqui é relevante: o contrato milionário entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro passou por uma edição associada a um perfil identificado com o nome de Alexandre de Moraes, e o próprio escritório confirmou que ele teve acesso ao documento e fez alterações. A resposta que ainda falta é documental: quais alterações foram feitas e por quê.

Fontes