Fé e Sociedade · 2026-10-06 · Redação Notícia ES

Urnas renovam liderança da bancada evangélica

Sóstenes Cavalcante foi o único entre cinco ex-presidentes do grupo a garantir retorno à Câmara, enquanto novos nomes ganharam projeção.

Urnas renovam liderança da bancada evangélica
Urnas renovam liderança da bancada evangélica

Quatro dos cinco deputados que presidiram a bancada evangélica desde 2018 não conseguiram renovar mandato na Câmara nas eleições de 2026. Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro, foi o único do grupo a assegurar uma cadeira, em uma votação que expôs a troca de nomes tradicionais por parlamentares com maior presença nas redes sociais.

O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira, 6 de outubro. A reportagem comparou o desempenho dos cinco ex-presidentes e mostrou que Gilberto Nascimento, Cezinha de Madureira, Silas Câmara e Eli Borges ficaram sem mandato de deputado federal para a legislatura iniciada em 2027.

Velha guarda perde espaço

Gilberto Nascimento, que comandava o grupo, apareceu como suplente em São Paulo. Cezinha de Madureira também não obteve vaga pelo estado. No Amazonas, Silas Câmara encerrou uma sequência de quase três décadas na Câmara, enquanto Eli Borges deixou a disputa por deputado para concorrer ao Senado no Tocantins e terminou em terceiro lugar.

O resultado alcançou outros nomes ligados a igrejas e com longa passagem pelo Congresso. Otoni de Paula e Pastor Eurico não foram reconduzidos. Candidatos da família do missionário R.R. Soares também ficaram fora da Câmara e de assembleias estaduais, conforme o balanço publicado após o primeiro turno.

Sóstenes Cavalcante contrariou a tendência do grupo. A tabela oficial de eleitos divulgada pela Câmara dos Deputados confirma seu retorno pelo Rio de Janeiro. O parlamentar, líder do PL na Casa, recebeu apoio público do pastor Silas Malafaia durante a campanha e preservou espaço na nova composição.

As derrotas não significam uma retração uniforme dos evangélicos no Legislativo. O pleito também projetou candidatos ligados a igrejas, sobretudo os que construíram audiência digital e se apresentaram como representantes de uma geração mais jovem do conservadorismo.

Renovação preserva força eleitoral

Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e André Fernandes ficaram entre os deputados federais mais votados do país e são identificados com o eleitorado evangélico. Guilherme Kilter, ligado a uma igreja batista de Curitiba, estreia na Câmara depois de obter cerca de 270 mil votos no Paraná, segundo os dados reunidos pela reportagem.

A renovação não ocorreu apenas à direita. Pastor Henrique Vieira e André Janones também conquistaram vagas e representam correntes políticas diferentes dentro do universo evangélico. A composição mostra que pertencimento religioso não produz comportamento eleitoral único nem elimina disputas partidárias entre os integrantes da bancada.

Grupos tradicionais conservaram influência em alguns estados. O Republicanos elegeu nomes relacionados à Igreja Universal, entre eles Marcos Pereira, Maria Rosas e Altair Moraes em São Paulo. Ao mesmo tempo, Marcelo Crivella não voltou ao Senado pelo Rio de Janeiro, e Edna Macedo não renovou vaga na Assembleia Legislativa paulista.

A troca de lideranças deve alterar a organização interna da bancada a partir de 2027, mas não define sozinha seu tamanho ou sua pauta. A escolha da próxima direção dependerá da articulação entre parlamentares de igrejas, partidos e regiões diferentes. O resultado das urnas indica menos continuidade pessoal e mais peso de candidatos que combinam identidade religiosa, militância política e comunicação digital.

Em resumo

Quantos ex-presidentes foram reeleitos?

Apenas Sóstenes Cavalcante conseguiu uma cadeira entre os cinco ex-presidentes da bancada evangélica que disputaram as eleições de 2026.

Quem ficou sem mandato?

Gilberto Nascimento, Cezinha de Madureira e Silas Câmara não conquistaram vaga de deputado, e Eli Borges perdeu a disputa ao Senado.

A representação evangélica encolheu?

O resultado mostra renovação de nomes, não retração uniforme, porque candidatos evangélicos mais jovens também obtiveram votações expressivas.

Quais nomes ganharam projeção?

Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato, André Fernandes e Guilherme Kilter estão entre os nomes destacados na nova composição.

Quando começa a nova configuração?

A nova legislatura começa em 2027, quando os parlamentares eleitos assumem e a bancada reorganiza sua direção.

Fontes

  • Folha de S.Paulo
  • Câmara dos Deputados
  • Câmara dos Deputados — Rio de Janeiro