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Vacina experimental reduz risco de retorno do melanoma

Terapia personalizada de RNA mensageiro, combinada ao Keytruda, reduziu em 42% o risco de recorrência ou morte.

2026-10-23T19:55:00.000Z · Redação Notícia ES
Vacina experimental reduz risco de retorno do melanoma

Uma vacina experimental personalizada de RNA mensageiro reduziu em 42% o risco de retorno do melanoma ou de morte quando combinada ao imunoterápico Keytruda. O resultado da fase 3, divulgado nesta semana, envolveu mais de 1.100 pacientes operados por câncer de pele de alto risco.

Os dados foram publicados pelo InfoMoney e confirmados por comunicados da Merck e da Moderna sobre o estudo INTerpath-001. A terapia, chamada intismeran autogene, atingiu os objetivos de prolongar o período sem recorrência e sem metástase distante.

Depois de aproximadamente dois anos, 82,2% dos pacientes que receberam a combinação permaneciam sem sinais de retorno da doença, ante 70% entre aqueles tratados com Keytruda e placebo. O risco de o câncer se espalhar para órgãos distantes caiu 38% no grupo da vacina.

Apesar do nome, não se trata de uma vacina preventiva aplicada a pessoas saudáveis. O medicamento é produzido para cada paciente depois da retirada cirúrgica do tumor e busca ensinar o sistema imunológico a reconhecer características específicas das células cancerosas restantes.

Terapia usa perfil do tumor

O processo começa com o sequenciamento do material genético retirado na cirurgia. Pesquisadores identificam mutações exclusivas do tumor e selecionam alvos chamados neoantígenos. A molécula de RNA mensageiro pode carregar instruções relacionadas a até 34 desses alvos.

Após a aplicação, o organismo produz temporariamente sinais que ajudam as células de defesa a localizar o câncer. O Keytruda atua em outra etapa: bloqueia a proteína PD-1, um mecanismo que pode funcionar como freio da resposta imune e permitir que o tumor escape.

As duas ações são complementares. A vacina aponta quais alterações devem ser reconhecidas, enquanto a imunoterapia amplia a capacidade de ataque. O objetivo é eliminar células microscópicas que possam ter permanecido após a cirurgia e reduzir a chance de recaída.

Aprovação ainda exige análise

Moderna e Merck pretendem apresentar os resultados às autoridades reguladoras dos Estados Unidos e trabalham com a possibilidade de lançamento em 2027. A data, porém, depende de análise técnica, avaliação de segurança, capacidade de fabricação individualizada e eventual autorização comercial.

No Brasil, qualquer oferta dependerá de pedido específico e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O resultado positivo do ensaio não significa que o produto já esteja disponível nem substitui os tratamentos definidos por equipes médicas para cada paciente.

O avanço é relevante por reunir duas tecnologias modernas em um estudo amplo e avançado. A confirmação do benefício a longo prazo, os efeitos adversos, o custo e o tempo necessário para fabricar cada dose serão decisivos para determinar o alcance real da terapia contra o melanoma.