Economia · 2026-10-30 · Redação Notícia ES

Vale: cobre compensa custos em ferro e níquel no 3T26 - mercado vê questão para 2027

Resultados do 3º trimestre ficaram próximos das estimativas, mas forte geração de caixa e desempenho da divisão de metais básicos chamaram atenção; debate do mercado agora migra para produção e custos em 2027

Vale: cobre compensa custos em ferro e níquel no 3T26 - mercado vê questão para 2027
Vale: cobre compensa custos em ferro e níquel no 3T26 - mercado vê questão para 2027

A Vale ( VALE3 ) divulgou resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26) na noite de quinta-feira (29) sem grandes surpresas em termos operacionais, mas com alguns sinais positivos que ajudaram a aliviar parte das preocupações do mercado.

Dados e contexto do setor

A mineradora teve lucro de US$ 1,255 bilhão de forma líquida (atribuível aos acionistas) no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% frente um ano antes.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) veio praticamente em linha com as estimativas dos analistas, enquanto a geração de caixa, a manutenção do guidance de produção e o desempenho da divisão de cobre foram os principais destaques do período.

A mineradora reportou Ebitda ajustado pro forma de US$ 3,5 bilhões no trimestre, queda de cerca de 14% ante o segundo trimestre e de 20% na comparação anual, refletindo principalmente preços realizados mais baixos para o minério de ferro e pressão sobre custos.

Impactos e informações adicionais

Ainda assim, o resultado veio praticamente em linha com as projeções de XP, Itaú BBA, Bradesco BBI, Morgan Stanley e JPMorgan.

O lucro líquido, por outro lado, decepcionou parte do mercado, já que o resultado atribuível aos acionistas ficou em US$ 1,26 bilhão, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactado por impairment, despesas relacionadas a Brumadinho, pior resultado de equivalência patrimonial e efeitos financeiros.

Já a geração de caixa foi um destaque positivo na visão dos analistas. O fluxo de caixa livre recorrente alcançou US$ 1,4 bilhão, enquanto o fluxo de caixa operacional somou US$ 2,5 bilhões, superando as projeções de diversas instituições.

A dívida líquida expandida recuou para US$ 16,4 bilhões, permanecendo confortavelmente dentro da faixa de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões perseguida pela companhia.

Para o Bradesco BBI, a geração de caixa foi o principal aspecto positivo do trimestre, ajudada por incentivos fiscais, liberação de capital de giro e liquidação de derivativos. O banco destaca que o fluxo de caixa livre recorrente implica rendimento anualizado próximo de 12%.

O Morgan Stanley foi na mesma direção e ressaltou que o fluxo de caixa operacional de US$ 2,5 bilhões veio significativamente acima das estimativas do mercado. A casa acredita que esse ponto deve contribuir para uma reação positiva das ações após o balanço.

O desempenho da divisão de minério de ferro seguiu sendo o principal foco de preocupação.

A produção somou 88,4 milhões de toneladas, queda de 6% na comparação anual, refletindo principalmente a menor disponibilidade de minério em Serra Norte, ativo considerado um dos mais rentáveis da companhia.

Além da produção menor, a Vale registrou piora no mix de produtos, com o preço realizado do minério em queda para US$ 85,1 por tonelada, cerca de 10% abaixo do trimestre anterior.

O movimento foi agravado por ajustes FOB (valor que representa o preço da mercadoria e os custos associados até o momento em que ela deixa o local de origem) e pela redução dos prêmios de qualidade.

O Goldman Sachs vê este ponto como a principal preocupação para 2027 , com a exaustão mais acelerada de Serra Norte e a crescente dependência de compras de minério de terceiros levantando dúvidas sobre a sustentabilidade da produção e da rentabilidade nos próximos anos.

Para os analistas, o risco é que a qualidade do mix continue se deteriorando e pressione margens.

Já o Bradesco BBI ressalta que, apesar da fraqueza operacional, a Vale manteve inalterada sua projeção de produção de minério para 2026, ainda que apontando para o piso da faixa de 335 milhões a 345 milhões de toneladas.

Isso implica uma produção próxima de 93 milhões de toneladas no quarto trimestre.

Já a divisão de metais básicos voltou a ser o destaque positivo. O Ebitda da Vale Base Metals alcançou aproximadamente US$ 1,1 bilhão, crescimento de mais de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado foi sustentado principalmente pelo cobre, que se beneficiou de preços realizados mais elevados e créditos de subprodutos.

O Ebitda do cobre ficou próximo de US$ 1 bilhão, acima das estimativas do mercado. Segundo XP e Goldman Sachs, os preços realizados surpreenderam positivamente e compensaram parcialmente a queda na produção provocada pela manutenção programada em Sossego.

Além disso, a companhia manteve o guidance de cobre e níquel para 2026 e indicou que ambas as commodities devem encerrar o ano na metade superior das faixas projetadas.

Em resumo

O que aconteceu?

A Vale ( VALE3 ) divulgou resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26) na noite de quinta-feira (29) sem grandes surpresas em termos operacionais, mas com alguns sinais positivos que ajudaram a aliviar parte das preocupações do mercado.

Qual é o ponto principal?

A mineradora teve lucro de US$ 1,255 bilhão de forma líquida (atribuível aos acionistas) no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% frente um ano antes.

Quais são os dados mais importantes?

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) veio praticamente em linha com as estimativas dos analistas, enquanto a geração de caixa, a manutenção do guidance de produção e o desempenho da divisão de cobre foram os principais destaques do período.

Qual é o contexto?

A mineradora reportou Ebitda ajustado pro forma de US$ 3,5 bilhões no trimestre, queda de cerca de 14% ante o segundo trimestre e de 20% na comparação anual, refletindo principalmente preços realizados mais baixos para o minério de ferro e pressão sobre custos. Ainda assim, o resultado veio praticamente em linha com as projeções de XP, Itaú BBA, Bradesco BBI

Quais são os próximos desdobramentos?

O lucro líquido, por outro lado, decepcionou parte do mercado, já que o resultado atribuível aos acionistas ficou em US$ 1,26 bilhão, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactado por impairment, despesas relacionadas a Brumadinho, pior resultado de equivalência patrimonial e efeitos financeiros.

Fontes