Varejo projeta R$ 9,27 bi no Dia das Crianças
Estimativa da CNC indica alta real de 1,8% nas vendas, com brinquedos, supermercados e vestuário concentrando a receita.

O comércio varejista brasileiro deve movimentar R$ 9,27 bilhões com o Dia das Crianças de 2026, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O valor representa crescimento real de 1,8% sobre os R$ 9,11 bilhões registrados em 2025.
A estimativa foi publicada pela CNN Brasil e confirmada em nota específica da CNC, divulgada na terça-feira (6). O UOL também reproduziu os dados e detalhou a distribuição esperada das vendas, os aumentos de preços e o peso do crédito nas decisões dos consumidores.
Brinquedos lideram receita esperada
Os brinquedos devem responder por R$ 3,62 bilhões, o equivalente a 39% de toda a movimentação projetada pela entidade. Itens vendidos em hipermercados e supermercados aparecem na sequência, com previsão de R$ 2,63 bilhões, ou 28% do total.
Vestuário e acessórios ocupam a terceira posição, com faturamento estimado em R$ 1,35 bilhão e participação de 15%. Somados, esses três grupos representam mais de quatro quintos da receita prevista pela CNC para a data comemorativa.
A projeção usa como referência o volume de vendas do comércio varejista relacionado aos produtos mais procurados no período. Por isso, o número não deve ser comparado diretamente com levantamentos que somam serviços, pagamentos por cartão ou intenção de compra declarada pelos consumidores.
Outras entidades divulgaram cifras maiores para o mesmo Dia das Crianças. A diferença não significa necessariamente contradição: cada levantamento adota universo, base de comparação e metodologia próprios. A leitura correta depende de identificar o que está incluído em cada cálculo.
A CNC avalia que a redução gradual dos juros melhora as perspectivas para o setor, mas ainda vê o endividamento das famílias e o custo do crédito como limitações. Compras parceladas de maior valor sentem mais diretamente o efeito das taxas, o que pode favorecer produtos de menor preço ou pagamentos à vista.
Preços pressionam escolhas familiares
A cesta de bens e serviços ligados à data teve aumento médio de 6,7% em relação a 2025, abaixo dos 8,9% observados no ano anterior. A variação, porém, não foi uniforme e alguns itens relevantes subiram bem mais do que a média.
Os chocolates registraram a maior alta indicada no levantamento, de 19,3%. Videogames ficaram 11,2% mais caros, lanches avançaram 8% e brinquedos subiram 7,1%. Produtos de vestuário tiveram pressão mais moderada, próxima de 4%.
Para o lojista, a combinação de crescimento real com inflação em categorias populares exige atenção a estoques e faixas de preço. Para as famílias, a comparação entre lojas e a definição de um limite de gasto reduzem o risco de transformar uma compra sazonal em dívida prolongada.
O Dia das Crianças ocupa posição relevante no calendário comercial e funciona como sinal para o Natal. O resultado efetivo será medido depois de 12 de outubro, quando o setor poderá comparar a projeção com as vendas realizadas e avaliar se a melhora esperada no consumo resistiu às restrições de crédito.
Em resumo
A CNC projeta R$ 9,27 bilhões em vendas no varejo brasileiro em 2026.
A estimativa indica alta real de 1,8% sobre o resultado de 2025.
Brinquedos lideram a projeção, com R$ 3,62 bilhões e 39% do total.
Chocolates avançaram 19,3%, videogames 11,2%, lanches 8% e brinquedos 7,1%.
Os levantamentos usam universos e metodologias distintos, incluindo ou excluindo serviços, cartões e intenção de compra.