Veículos regionais têm cobertura eleitoral ameaçada por atentados e ordem para recolher jornais
Portal do Pará especializado em violações na amazônia desiste de acompanhar corrida eleitoral

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Contexto
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Veículos regionais de imprensa enfrentam ações judiciais, ameaças e atentados após publicarem reportagens que incomodaram candidatos que disputam eleições no Norte e Nordeste do país.
No caso com consequências mais graves para uma organização, o portal de notícias Tapajós de Fato, de Santarém (PA), suspendeu a sua cobertura eleitoral após episódios de agressões físicas e psicológicas contra seus profissionais: um jornalista foi esfaqueado e outro colaborador recebeu a cabeça de um gato.
Desdobramentos
Entidades do setor, Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e ANJ (Associação Nacional de Jornais) classificaram as pressões locais como violações ao exercício do jornalismo, com prejuízos à liberdade de imprensa e à democracia.
O Tapajós de Fato é um portal especializado na cobertura da amazônia com tradição em denúncias de violações ambientais no sul e sudeste do Pará.
O veículo já havia desistido de uma cobertura eleitoral em 2024, durante as disputas municipais. As ameaças começaram em 2022. Foi a partir daquele ano que ocorreram episódios como a entrega da cabeça de gato e o atentado a faca a poucos metros da redação, caso jamais esclarecido.
"Um cenário em que jornalistas desistem de cobrir um tema relevante por medo de perder a própria vida representa uma derrota para qualquer democracia. A perda para a sociedade é incalculável e fruto da pouca importância que as autoridades dão às ameaças e aos ataques a jornalistas", afirmou a presidente da Abraji, Ana Carolina Moreno.
Outro caso que coloca em risco um site de notícias locais ocorreu em Alagoas. O portal Mídia Caeté foi obrigado pela Justiça a tirar do ar uma reportagem que menciona o suposto envolvimento de um político em uma infração eleitoral.
A matéria relata que alunos de uma escola pública teriam recebido oferta em dinheiro para comparecerem a um evento com a presença do deputado federal Rafael Brito ( MDB -AL), que estava em pré-campanha para a reeleição. O nome de Brito teria sido mencionado em mensagens enviadas aos estudantes.
Além de determinar a remoção da publicação, o TRE-AL (Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas) aplicou multa de R$ 5.000 ao Mídia Caeté.
Para justificar a condenação, o desembargador Mauricio Cesar Breda Filho, relator do caso no TRE-AL, afirmou que o veículo possuía declaração do diretor da escola assumindo a responsabilidade e isentando o parlamentar.
Em resumo
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Veículos regionais de imprensa enfrentam ações judiciais, ameaças e atentados após publicarem reportagens que incomodaram candidatos que disputam eleições no Norte e Nordeste do país.
No caso com consequências mais graves para uma organização, o portal de notícias Tapajós de Fato, de Santarém (PA), suspendeu a sua cobertura eleitoral após episódios de agressões físicas e psicológicas contra seus profissionais: um jornalista foi esfaqueado e outro colaborador recebeu a cabeça de um gato.
Entidades do setor, Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e ANJ (Associação Nacional de Jornais) classificaram as pressões locais como violações ao exercício do jornalismo, com prejuízos à liberdade de imprensa e à democracia.