Justiça · 2026-09-29 · Redação Notícia ES

Verba pública chega a campanhas questionadas por elo criminoso

Levantamento identificou R$ 21,6 milhões destinados a 20 candidatos citados em ações do Ministério Público ou decisões eleitorais.

Verba pública chega a campanhas questionadas por elo criminoso
Verba pública chega a campanhas questionadas por elo criminoso

Nove partidos destinaram ao menos R$ 21,6 milhões de recursos públicos a campanhas de 20 candidatos apontados pelo Ministério Público Eleitoral ou por tribunais regionais em processos que mencionam vínculos com organizações criminosas.

A Folha de S.Paulo publicou o levantamento nesta segunda-feira (28). Decisões divulgadas pelo TRE-RJ confirmam indeferimentos por associação com organizações criminosas, enquanto o Ministério Público Federal já havia orientado os partidos a criar filtros contra a infiltração desses grupos.

Os valores vieram dos fundos eleitoral e partidário e alcançaram candidaturas ligadas, segundo os processos citados, a facções, milícias, jogo do bicho ou esquemas de fraude administrativa. A relação inclui casos em diferentes fases e não equivale a uma condenação criminal definitiva.

Alguns registros foram indeferidos, outros receberam decisão favorável e parte dos recursos ainda será julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Candidatos e partidos ouvidos negaram irregularidades, afirmaram cumprir a legislação ou disseram aguardar a conclusão dos processos.

Recursos seguem regras partidárias

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha distribuiu aproximadamente R$ 4,9 bilhões entre as legendas em 2026. Depois do repasse, cada direção partidária aplica critérios internos para dividir os recursos entre seus candidatos, respeitando limites e destinações obrigatórias.

Dados de arrecadação e gastos ficam disponíveis no DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral. A publicidade das informações permite cruzar transferências partidárias com decisões judiciais, impugnações e manifestações do Ministério Público.

A legislação pode permitir que um candidato continue em campanha enquanto recorre de um indeferimento. Por isso, a existência de questionamento judicial não bloqueia automaticamente todos os repasses, e uma decisão posterior pode alterar a situação do registro.

Esse intervalo cria risco político e financeiro. Se a candidatura for barrada ao final, parte do dinheiro já terá sido usada em propaganda, estrutura e pessoal. Se for liberada, o candidato terá exercido um direito previsto enquanto o recurso estava pendente.

Integridade exige prova e defesa

O MP Eleitoral recomendou certidões criminais, protocolos de integridade e análise do histórico social e patrimonial dos filiados. O objetivo declarado é impedir que facções e grupos paramilitares usem partidos e campanhas para ampliar influência institucional.

O TRE-RJ informou ter indeferido registros com base no artigo constitucional que proíbe organizações paramilitares e estruturas semelhantes. Entre os casos divulgados oficialmente, há referências a associação criminosa e ao conceito de milícia de gravata.

A prevenção não autoriza transformar suspeita em culpa. Cada processo precisa identificar a conduta atribuída, permitir contraditório e distinguir vínculo comprovado de contato circunstancial. A mesma cautela deve orientar a divulgação dos nomes e a análise dos repasses.

O TSE ainda poderá modificar decisões regionais antes da votação. Até lá, o dado central permanece: dinheiro público chegou a campanhas submetidas a questionamentos relevantes, e partidos precisam explicar quais filtros aplicaram sem antecipar condenações que a Justiça ainda não confirmou.

Em resumo

Quanto dinheiro público foi identificado?

O levantamento apontou ao menos R$ 21,6 milhões destinados às campanhas analisadas.

Quantos candidatos aparecem no levantamento?

Foram identificados 20 candidatos com questionamentos do Ministério Público ou da Justiça Eleitoral.

Quais partidos fizeram os repasses?

Nove legendas distribuíram os recursos, conforme o levantamento publicado.

Os candidatos já foram condenados definitivamente?

Não necessariamente. Há casos em fases diferentes, com decisões recorríveis e negativas de irregularidade.

Que medidas o MP recomenda aos partidos?

O órgão recomenda certidões, protocolos de integridade e análise do histórico dos pré-candidatos.

Fontes