PF prende vereador do Rio após apreender dois fuzis e uma submetralhadora
Jorge Canella, coronel da PM e vereador pelo União Brasil, foi detido em flagrante durante nova fase da Operação Unha e Carne.

A Polícia Federal prendeu em flagrante nesta terça-feira, 22 de setembro, o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella, do União Brasil, depois de localizar dois fuzis e uma submetralhadora durante buscas na Barra da Tijuca. Canella também é coronel da Polícia Militar. A diligência integrou a sétima fase da Operação Unha e Carne e apurava suspeita de posse irregular de armas de fogo de uso restrito.
A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e na Câmara Municipal do Rio. Segundo a PF, as ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. O parlamentar e o armamento foram levados à Superintendência Regional da corporação, onde foi lavrado o auto de prisão em flagrante e começaram os demais procedimentos.
O flagrante não equivale a uma condenação. A legalidade e a necessidade de eventual manutenção da prisão serão examinadas pelo Judiciário, enquanto a defesa poderá contestar a classificação das armas, a forma de armazenamento, a origem do material e as circunstâncias das buscas. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da defesa reproduzida pela fonte que noticiou a operação.
Nova fase amplia investigação iniciada no Rio
A Polícia Federal informou que a sétima etapa da Unha e Carne faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, estrutura voltada ao enfrentamento de organizações criminosas que atuam no estado. O nome da operação já havia aparecido em fases anteriores destinadas a rastrear relações entre agentes públicos, armas, finanças e grupos investigados por crimes organizados.
Em julho, na sexta fase, a PF declarou que o grupo sob apuração teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Esse valor pertence ao contexto mais amplo da investigação e não pode ser automaticamente atribuído ao vereador ou às armas apreendidas nesta terça-feira. Cada fase tem alvos, fatos e medidas cautelares próprios.
A nova diligência concentrou-se, de acordo com o relato oficial reproduzido pelo UOL, na suspeita específica de posse de armamento de uso restrito. A presença de policiais federais na Câmara Municipal ocorreu para o cumprimento do mandado de busca, não para uma operação contra o conjunto do Legislativo carioca. Também não foi informado que outros vereadores tenham sido presos nessa etapa.
Armas de uso restrito exigem apuração individual
A apreensão de fuzis e submetralhadora leva a investigação para o campo da legislação penal sobre armas. Para sustentar uma acusação, as autoridades deverão apresentar laudos de identificação, calibre, funcionamento e origem, além de demonstrar quem detinha a posse e se existia alguma autorização válida. O fato de Canella ser coronel da PM não encerra por si só essas perguntas.
O material recolhido ficará sob custódia para perícia. Documentos, celulares ou outros objetos eventualmente apreendidos só poderão produzir consequências processuais depois de catalogados e analisados dentro das autorizações judiciais. A defesa pode pedir acesso aos autos, questionar a cadeia de custódia e requerer diligências próprias.
A Operação Unha e Carne integra um esforço federal que dialoga com determinações do Supremo sobre segurança pública no Rio, especialmente no ambiente institucional criado após a ADPF 635. Isso não significa que a ação constitucional julgue a conduta individual do vereador. A ADPF estabeleceu parâmetros gerais para operações policiais e redução da letalidade; o caso concreto seguirá expediente penal próprio.
Próximas decisões serão judiciais e políticas
No curto prazo, o auto de prisão em flagrante será submetido à autoridade judicial competente. Caberá ao magistrado decidir se há fundamento para converter a medida em prisão preventiva, aplicar cautelares alternativas ou determinar a soltura. A PF prosseguirá com perícias e poderá colher depoimentos para esclarecer a procedência das armas.
A Câmara do Rio também poderá avaliar reflexos administrativos ou regimentais, mas qualquer medida política deve observar o estágio do processo e as garantias de defesa. A existência de busca em dependência legislativa não produz perda automática de mandato, e a prisão em flagrante não substitui as etapas previstas para eventual responsabilização.
O ponto central desta fase é objetivo: a PF afirma ter encontrado três armas longas de uso restrito em endereço ligado ao investigado e, por isso, efetuou a prisão. A partir de agora, perícia, defesa e controle judicial precisam separar o que foi efetivamente comprovado das hipóteses investigativas. Novos detalhes dependerão da manifestação da Polícia Federal, do STF e dos advogados de Canella.
Em resumo
Ele é vereador do Rio de Janeiro pelo União Brasil e coronel da Polícia Militar.
Segundo a Polícia Federal, dois fuzis e uma submetralhadora foram encontrados durante buscas, levando à prisão em flagrante por suspeita de posse ilegal de armas de uso restrito.
A PF informou ter apreendido dois fuzis e uma submetralhadora na Barra da Tijuca.
É uma investigação da Polícia Federal ligada à Força-Tarefa Missão Redentor II contra organizações criminosas no Rio de Janeiro.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, de acordo com a Polícia Federal.
Não. O flagrante será submetido ao controle judicial, e o investigado tem direito à defesa e à presunção de inocência.