Tecnologia · 2026-10-14 · Redação Notícia ES

Viagem de 2,1 mil km termina em alerta sobre perfis de IA

Homem de 49 anos saiu de Imperatriz rumo a Belo Horizonte para encontrar uma personagem digital; prefeitura prestou assistência para o retorno.

Viagem de 2,1 mil km termina em alerta sobre perfis de IA
Viagem de 2,1 mil km termina em alerta sobre perfis de IA

Um homem de 49 anos viajou mais de 2 mil quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte acreditando que encontraria uma mulher apresentada em vídeos nas redes sociais. Ao chegar à capital mineira no domingo (11), descobriu que a personagem havia sido criada com inteligência artificial.

O caso foi relatado pelo Metrópoles e confirmado pela Rádio Itatiaia, que entrevistou Edimar Rocha Martins e acompanhou sua saída de Belo Horizonte na terça-feira (13). Sem dinheiro para retornar, ele procurou atendimento da prefeitura e recebeu assistência para seguir viagem.

Edimar contou que passou a acompanhar vídeos de uma personagem chamada Jéssica Oliveira. O perfil reúne mais de 300 mil seguidores e apresenta a figura digital como uma mulher interessada em encontrar um companheiro para viver em uma fazenda. A mensagem foi interpretada por ele como um convite pessoal.

As reportagens não indicam que Edimar tenha mantido uma conversa privada com uma pessoa real por trás do perfil. O episódio mostra como vídeos produzidos por IA, mensagens automatizadas e encenações de proximidade podem criar uma expectativa de vínculo que não existe fora da tela.

Perfil digital criou expectativa

A distância aproximada entre Belo Horizonte e Araguatins, no Tocantins, destino escolhido para a volta, supera 2,1 mil quilômetros. Edimar havia partido de Imperatriz, onde vivia, e chegou à rodoviária da capital mineira sem encontrar a suposta mulher nem ter recursos suficientes para refazer o trajeto.

Na manhã de terça-feira, ele procurou a Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante de Belo Horizonte. O serviço municipal ofereceu alimentação, banho, orientação social e uma passagem. A Itatiaia informou que o destino final da viagem de retorno seria Araguatins, cidade natal de Edimar, e não Imperatriz.

A Polícia Civil de Minas Gerais foi avisada sobre a situação, segundo os relatos publicados. As fontes consultadas, porém, não apresentam até agora identificação de um autor de fraude, perda financeira enviada ao perfil ou abertura confirmada de investigação criminal. Por isso, o fato central é o engano provocado pela personagem digital e a assistência prestada ao viajante.

A repercussão levou a Prefeitura de Belo Horizonte a divulgar orientações sobre o atendimento a migrantes em vulnerabilidade. O serviço existe para acolher adultos e famílias em trânsito, oferecer encaminhamento e evitar que pessoas sem rede de apoio permaneçam nas ruas.

Caso reforça cautela on-line

Perfis gerados por IA podem imitar rosto, voz e linguagem corporal com aparência convincente. O risco aumenta quando o conteúdo cria sensação de intimidade, faz promessas amplas a seguidores ou usa respostas automáticas que parecem exclusivas para cada pessoa.

Antes de viajar, enviar dinheiro ou compartilhar documentos, a orientação mais segura é confirmar a identidade por canais independentes. Uma chamada de vídeo ao vivo, a conferência de endereço, a busca reversa de imagens e o contato com pessoas conhecidas podem revelar inconsistências que não aparecem em vídeos editados.

Também é importante observar se o perfil informa claramente que se trata de uma personagem virtual. Mesmo quando não há pedido de dinheiro, a falta de transparência pode levar seguidores a decisões reais baseadas em uma relação inexistente. Plataformas e criadores têm responsabilidade em sinalizar conteúdo sintético de modo compreensível.

Edimar deixou Belo Horizonte assistido pelo município e seguiu para o Tocantins. O episódio não deve ser tratado como motivo de exposição ou ridicularização da vítima: ele serve de alerta concreto sobre como personagens digitais podem produzir consequências materiais, emocionais e financeiras fora das redes.

Em resumo

O que aconteceu em Belo Horizonte?

Um homem viajou de Imperatriz para encontrar uma mulher vista nas redes e descobriu que a personagem havia sido criada com IA.

Quem é o viajante?

Edimar Rocha Martins tem 49 anos, vivia em Imperatriz e é natural de Araguatins, no Tocantins.

Quando ele chegou à cidade?

Ele desembarcou em Belo Horizonte no domingo, 11 de outubro de 2026.

Que ajuda foi oferecida?

A prefeitura prestou atendimento social, ofereceu alimentação, banho, orientação e uma passagem para a viagem de retorno.

Como reduzir o risco de um engano semelhante?

É recomendável confirmar a identidade por canais independentes antes de viajar, enviar dinheiro ou compartilhar documentos.

Fontes