Vice de Peña é empossado presidente do Paraguai e promete ações imediatas para ressarcir vítimas de crise bancária
Também do Partido Colorado, Pedro Alliana é próximo ao ex-presidente Horacio Cartes, líder da sigla e ex-padrinho politico de Peña, com quem teve uma ruptura pública durante o mandato

O até então vice-presidente do Paraguai , Pedro Alliana, foi empossado como presidente pelo Congresso na noite desta sexta-feira, após o impeachment de Santiago Peña , aprovado por unanimidade pelo Senado.
O contexto do cenário político
A decisão interrompe precocemente o governo do ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 47 anos, que vinha se apresentando como uma das lideranças da direita sul-americana.
Com o afastamento, Peña perde as garantias constitucionais que teria direito caso concluísse o mandato ou renunciasse, como uma cadeira vitalícia no Senado e foro privilegiado.
Pouco após a decisão, a promotoria pediu a prisão do agora ex-presidente em um caso ligado à quebra do Ueno Bank. Peña foi detido e colocado em prisão domiciliar.
Detalhes e consequências do caso
Seus advogados afirmaram que vão contestar o julgamento político na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando nulidades na condução do processo.
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— O Paraguai em que vivemos têm urgências nos obriga a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho promete é concreto.
Os compatriotas que passam hoje por um momento difícil por consequência do descalabro financeiro serão compensados plenamente — disse Alliana em seu discurso de posse. — Não vamos os deixar sós.
Ordeno que se tomem ações imediatas a ressarci-los agora mesmo com preferência aos menos favorecidos.
Na véspera, Alliana foi poupado pela Câmara dos Deputados de também se tornar alvo de um processo de impeachment.
Também do Partido Colorado, Alliana é próximo ao ex-presidente Horacio Cartes, líder da sigla e ex-padrinho politico de Peña, com quem teve uma ruptura pública durante o mandato.
Alliana, de 52 anos, nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucu, no Paraguai. Formado em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián, foi jogador da seleção paraguaia de basquete na juventude e trabalhou no comércio antes de ingressar na política.
Filiado ao Partido Colorado (Associação Nacional Republicana), historicamente dominante na política paraguaia e o mesmo de Peña, Alliana foi governador de Ñeembucu entre 2008 e 2012 e deputado por dois mandatos, entre 2013 e 2023.
Também liderou a bancada colorada na Câmara dos Deputados de 2015 a 2023.
Em abril de 2026, anunciou sua pré-candidatura à Presidência do Paraguai nas eleições de 2028, com apoio declarado de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes. Antes de assumir a Presidência, ocupava o cargo de vice-presidente do país.
A derrocada política de Peña foi consumada pouco mais de 24 horas após a abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados , e três dias depois da quebra do Ueno Bank — banco digital do qual o presidente foi acionista até o ano passado, e onde foram depositados US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões no câmbio atual) em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Quase 40% da população paraguaia tinha contas na instituição bancária e, após intervenção do Banco Central pelo alto índice de insolvência da instituição financeira (inferior a 50%), ficaram sem acesso a seus valores.
Minutos após o anúncio da decisão do Congresso paraguaio, promotores especializados de Delitos Econômicos e Anticorrupção pediram a prisão do presidente destituído, no âmbito da investigação sobre o Ueno Bank, alegando suposta quebra de confiança e outros ilícitos penais relacionados ao escândalo financeiro.
Um ofício foi emitido diretamente ao Comando da Polícia Nacional para seu cumprimento obrigatório e imediato. Além de Peña, a promotoria pede a prisão do ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo.
Ao longo do dia, Peña tentou algumas manobras para evitar o desfecho do impeachment.
A defesa do presidente protocolou um pedido junto ao Senado para que fosse estabelecido um prazo de 72 horas para apreciação das provas produzidas pela acusação — conduzida por deputados, em se tratando de um processo político — e para ter acesso à acusação completa.
O pedido foi rejeitado, sob protesto da defesa. Em uma mensagem na rede social X, pouco antes da decisão, o agora ex-presidente voltou a falar sobre o pedido de renúncia apresentado na véspera — e não aceito pela Câmara — a fim de evitar a continuidade do processo.
"Apresentei minha renúncia para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai. Não quero que minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade.
Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal", escreveu Peña às 18h13. "Hoje, cabe a nós nos unirmos, como paraguaios, para reconstruir a institucionalidade e recuperar a confiança.
Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que, hoje, aguardam respostas.
É momento de unir esforços para reconstruir a institucionalidade e atender, com ações e responsabilidade, aqueles que estão sendo afetados".
Com um consenso político formado para o afastamento definitivo do presidente, e protestos massivos nas ruas das principais cidades paraguaias, a defesa de Peña apresentou linhas de defesa diversas.
Os advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda voltaram a alegar que a renúncia do presidente extinguia o objeto jurídico da ação, e argumentaram que não foram garantidos direitos básicos, incluindo à ampla defesa, contraditório e devido processo legal.
— Antes de começar o debate, eu estava confuso, mas agora estou totalmente confuso — disse Ferreiro ao abrir suas alegações finais, enumerando o que citou como causas de anulação do processo.
Economista de direita, Peña foi eleito presidente do Paraguai por uma ampla margem em abril de 2023, Sua vitória nas eleições presidenciais, manteve o direitista Partido Colorado no poder apesar de fortes divisões internas e de acusações de corrupção contra os principais líderes da legenda.
Carismático e sorridente, Peña foi eleito aos 44 anos em sua primeira participação em uma eleição nacional. Em 2017, ele perdeu a indicação à Presidência nas primárias coloradas para Mario Abdo Benítez, a quem sucedeu.
Considerado um tecnocrata com uma brilhante carreira acadêmica, mas com pouca experiência, Peña entrou na política levado pelo ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018), hoje na lista de sanções dos EUA acusado de ser "significativamente corrupto", mas que no passado o filiou ao Partido Colorado e o indicou ministro da Economia.
Em resumo
O até então vice-presidente do Paraguai , Pedro Alliana, foi empossado como presidente pelo Congresso na noite desta sexta-feira, após o impeachment de Santiago Peña , aprovado por unanimidade pelo Senado.
Contexto: Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise no Ueno Bank, mas não evita abertura de processo de impeachment Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
— O Paraguai em que vivemos têm urgências nos obriga a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho promete é concreto. Os compatriotas que passam hoje por um momento difícil por consequência do descalabro financeiro serão compensados plenamente — disse Alliana em seu discurso de posse. — Não vamos os deixar sós.
Na véspera, Alliana foi poupado pela Câmara dos Deputados de também se tornar alvo de um processo de impeachment. Também do Partido Colorado, Alliana é próximo ao ex-presidente Horacio Cartes, líder da sigla e ex-padrinho politico de Peña, com quem teve uma ruptura pública durante o mandato.
Alliana, de 52 anos, nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucu, no Paraguai. Formado em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián, foi jogador da seleção paraguaia de basquete na juventude e trabalhou no comércio antes de ingressar na política. É casado e tem quatro filhos.