Vídeo de IA com Flávio leva ficção à campanha digital
Peça publicada por Nikolas Ferreira usa cenas artificiais de ação para promover Flávio Bolsonaro e explicita o avanço da IA na propaganda eleitoral.

O deputado federal Nikolas Ferreira publicou na quarta-feira (14) um vídeo produzido por inteligência artificial para promover a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. A peça de 37 segundos apresenta situações fictícias de ação e termina com o candidato usando a faixa presidencial.
O Poder360 registrou a publicação na quinta-feira (15), e a Folha de S.Paulo confirmou que o material apareceu primeiro em uma conta secundária de Nikolas no Instagram e depois foi replicado no perfil principal do deputado. As duas reportagens identificam o conteúdo como uma criação artificial, não como registro de acontecimentos reais.
No vídeo, Flávio é retratado no teto solar de um carro, em uma piscina, sobre uma motocicleta e em cenários que imitam filmes de ação. Também aparecem armas, bebida e um lançador de foguetes. A sequência reúne imagens impossíveis ou deliberadamente exageradas e encerra a narrativa com a mensagem eleitoral “vai dar 22”.
Ficção ganha função eleitoral
A produção não tenta documentar uma agenda de campanha ou uma declaração do candidato. Seu recurso principal é colocar uma pessoa real em cenas inventadas, construindo uma versão espetacularizada do personagem político. O uso de inteligência artificial permite realizar esse tipo de montagem sem filmagem, cenário físico ou participação efetiva do retratado em cada situação.
A Folha informou que a postagem tem tom comemorativo e associa Flávio a uma imagem de força e irreverência. Já o Poder360 destacou que a peça foi divulgada por Nikolas, aliado do candidato, em meio à campanha do segundo turno. O material, portanto, combina entretenimento, propaganda e tecnologia generativa em uma mesma publicação.
Essa identificação é relevante porque os gestos exibidos não devem ser interpretados como atos praticados por Flávio. O rosto, o corpo e o ambiente foram manipulados para produzir uma narrativa ficcional. A distinção entre imagem sintética e fato verificável precisa acompanhar qualquer descrição da peça, especialmente quando o conteúdo circula fora da postagem original e perde legenda ou contexto.
Circulação exige leitura cuidadosa
O vídeo também mostra como ferramentas de IA passaram a fazer parte da linguagem cotidiana das campanhas. Em vez de apenas corrigir uma fotografia ou acrescentar um efeito, a tecnologia cria movimentos, ações e ambientes inteiros. Isso amplia as possibilidades de comunicação, mas também exige que eleitores, plataformas e veículos identifiquem com clareza o que foi gerado artificialmente.
Neste caso, as cenas são exageradas e o tom de paródia ajuda a sinalizar a ficção. Ainda assim, recortes isolados podem circular como fotografias ou vídeos curtos sem a indicação original. A verificação começa pela origem da postagem, pela observação de inconsistências visuais e pela comparação com registros jornalísticos ou oficiais do mesmo momento.
A publicação de Nikolas não relata proposta de governo nem compromisso programático. Ela busca mobilizar apoiadores por meio de uma representação estilizada do candidato. Para o eleitor, o dado objetivo é que se trata de uma peça de campanha feita com inteligência artificial e divulgada por um aliado, não de uma gravação documental da conduta de Flávio Bolsonaro.
Em resumo
O deputado federal Nikolas Ferreira divulgou a peça em uma conta secundária do Instagram e depois a replicou no perfil principal.
Não. As reportagens identificam o vídeo como uma produção artificial com situações fictícias e exageradas.
Flávio Bolsonaro é retratado em cenas de ação criadas por inteligência artificial.
A postagem foi feita na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, e repercutiu na imprensa no dia seguinte.
A peça promove a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro por meio de uma narrativa de entretenimento e propaganda.