Política Nacional

Violência lidera prioridades para próximo presidente

Pesquisa Datafolha mostra que segurança, emprego e impostos concentram as principais cobranças dirigidas ao vencedor da eleição presidencial.

2026-10-24T01:39:56.000Z · Redação Notícia ES
Violência lidera prioridades para próximo presidente

O combate à violência aparece como uma das três maiores prioridades para o próximo presidente entre 69% dos eleitores brasileiros. Emprego, citado por 60%, e redução de impostos, com 56%, completam o grupo de cobranças mais frequentes no levantamento divulgado nesta sexta-feira (23).

Os dados foram publicados pela Folha de S.Paulo a partir de pesquisa do Datafolha realizada de terça-feira (20) a quinta-feira (22). O instituto ouviu 2.520 pessoas em 154 municípios; a margem de erro é de dois pontos percentuais e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026.

Quando o entrevistado precisou apontar apenas uma prioridade, o resultado ficou mais apertado. Segurança liderou com 25%, seguida pela redução de impostos, com 24%. Emprego e educação foram escolhidos por 17% cada, o que mostra uma pauta dividida entre proteção, renda, carga tributária e serviços públicos.

Segurança supera emprego e impostos

A lista de até três respostas revela uma demanda mais ampla do que o ranking de escolha única. Um eleitor pode, ao mesmo tempo, considerar urgente reduzir a criminalidade, melhorar a oferta de trabalho e rever o peso dos tributos. Por isso, os 69% atribuídos à violência não equivalem a apoio a uma política específica nem permitem somar as porcentagens como se fossem opções excludentes.

O resultado coloca a segurança pública no centro da campanha nacional, embora boa parte da execução cotidiana seja responsabilidade dos estados. Ao governo federal cabem atribuições como controle de fronteiras, atuação da Polícia Federal, combate ao tráfico interestadual e internacional e coordenação de políticas nacionais. O presidente eleito também dependerá de governadores e do Congresso para transformar promessas em medidas duradouras.

A preocupação econômica continua próxima. Os 60% que mencionaram emprego e os 56% que citaram impostos indicam que renda e custo de vida seguem determinantes na avaliação do futuro governo. Uma agenda presidencial que trate a segurança de forma isolada, sem considerar atividade econômica, educação e capacidade fiscal, alcançaria apenas parte das expectativas registradas.

Eleitorados divergem nas escolhas

A pesquisa também identificou diferenças entre os apoiadores dos principais candidatos. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 35% escolheram a redução de impostos como a prioridade número um, ante 12% entre os que declaram voto em Luiz Inácio Lula da Silva. O contraste sugere maior peso da agenda tributária no eleitorado do candidato da oposição.

Na educação, a relação se inverte. O tema foi indicado como principal prioridade por 25% dos eleitores de Lula e por 8% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro. Essas diferenças ajudam a explicar por que campanhas podem enfatizar problemas distintos mesmo diante de uma preocupação geral compartilhada com a violência.

O g1, em reportagem sobre a mesma rodada do Datafolha, destacou a liderança da segurança na pergunta de escolha única. A Folha apresentou ainda o conjunto de até três prioridades e os recortes eleitorais. As duas leituras partem do mesmo levantamento, mas respondem a perguntas diferentes e precisam ser interpretadas sem misturar os percentuais.

O retrato é de uma eleição na qual o vencedor receberá cobranças simultâneas e, por vezes, concorrentes. A preferência por segurança não dispensa prestação de contas sobre emprego, impostos e educação. Planos verificáveis, competências corretamente atribuídas e metas financiáveis serão mais úteis ao eleitor do que promessas genéricas para todos os problemas.