Vitória leva educação financeira a 400 alunos de 12 escolas municipais
Projeto reúne Procon, Sicoob, Secretaria de Educação e Ufes em atividades sobre planejamento, consumo consciente e definição de prioridades.

Vitória começa nesta quarta-feira, 23 de setembro, um projeto de educação financeira para 400 estudantes do 4º ano de 12 escolas da rede municipal. A iniciativa Semeando a Cidadania Financeira combina teatro, leitura mediada e oficinas práticas para ensinar planejamento, consumo consciente, poupança, diferença entre desejo e necessidade e definição de prioridades.
O projeto foi lançado na segunda-feira, 21, no Palácio Jerônimo Monteiro, com a participação de 23 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Anchieta. Os estudantes receberam simbolicamente os primeiros kits educativos e acompanharam uma apresentação da Turma da Pituca sobre decisões de consumo e planejamento.
A ação é coordenada pelo Procon Vitória em parceria com o Sicoob, a Secretaria Municipal de Educação e a Universidade Federal do Espírito Santo. O desenho aproxima o órgão de defesa do consumidor das salas de aula e tenta atuar antes que problemas de endividamento e consumo apareçam na vida adulta.
Atividades terão teatro, livro e oficina prática
O trabalho nas escolas foi dividido em três momentos. O primeiro é uma peça educativa com personagens que apresentam situações de compra e escolha em linguagem infantil. O segundo é a leitura mediada de um livro fornecido pelo Sicoob. O terceiro reúne oficinas conduzidas por estudantes de Ciências Contábeis da Ufes ligados ao Serviço de Orientação Financeira.
Cada aluno receberá um exemplar do livro utilizado nas atividades e um cofrinho institucional do Procon Vitória. A expectativa é que o conteúdo não fique restrito à sala: ao levar o material para casa, a criança poderá conversar com a família sobre prioridades, orçamento e decisões cotidianas.
A Prefeitura assinou um termo de cooperação com o Sicoob para formalizar a parceria. A instituição disponibilizará livros, materiais e capacitação dos facilitadores sem transferência de recursos financeiros entre as partes. Também foi emitida ordem de serviço para 12 apresentações teatrais, uma em cada escola participante.
Educação financeira vai além de fazer contas
O conteúdo previsto não se limita a operações matemáticas. Ao distinguir necessidade de desejo, por exemplo, os estudantes exercitam comparação, espera e escolha. Poupança aparece como consequência de um objetivo planejado, enquanto o consumo consciente inclui avaliar utilidade, preço, publicidade e impacto das decisões.
O Banco Central mantém o programa Aprender Valor com proposta semelhante de integrar educação financeira, fiscal e previdenciária a disciplinas da educação básica. A referência nacional reforça que o tema pode ser trabalhado de modo transversal, sem transformar a escola em espaço de promoção de produto financeiro. Em vez de decorar termos bancários, a criança é convidada a reconhecer consequências de escolhas reais, como comparar preços, adiar uma compra e organizar um objetivo possível.
Esse cuidado é relevante porque crianças são expostas cedo a publicidade, jogos com compras internas e influenciadores. A participação de uma cooperativa de crédito exige separação clara entre conteúdo pedagógico e oferta comercial. O termo sem repasse financeiro e a condução conjunta por Procon, Educação e Ufes criam mecanismos institucionais para essa supervisão.
Avaliação deverá mostrar se aprendizado permaneceu
A primeira edição alcança 400 alunos, uma parcela da rede municipal. Depois das atividades, a Prefeitura poderá avaliar compreensão dos conceitos, participação das famílias e adaptação do material às diferentes turmas. Esses indicadores serão importantes para decidir se o projeto deve ser ampliado e quais ajustes pedagógicos são necessários.
Outro ponto a acompanhar é o papel dos universitários. Por serem extensionistas, eles levam conhecimento acadêmico à comunidade e, ao mesmo tempo, aprendem a traduzir termos técnicos para situações concretas. A qualidade da formação e o acompanhamento de professores serão decisivos para manter as oficinas acessíveis e corretas.
As atividades começam com objetivos definidos e parceiros identificados. O próximo passo é verificar o resultado nas escolas: se as crianças conseguem explicar as escolhas, aplicar planejamento simples e reconhecer estratégias de consumo. O sucesso não será medido pelo valor guardado no cofrinho, mas pela autonomia desenvolvida para lidar com dinheiro, publicidade e prioridades. A Prefeitura ainda não informou se divulgará um relatório consolidado ao fim desta primeira etapa.
Em resumo
A primeira edição atenderá 400 estudantes do 4º ano do ensino fundamental.
O projeto será realizado em 12 escolas municipais de Vitória.
A Prefeitura informou que as atividades começam em 23 de setembro.
Desejo e necessidade, planejamento, poupança, consumo consciente, escolhas e prioridades.
Procon Vitória, Sicoob, Secretaria Municipal de Educação e Universidade Federal do Espírito Santo.
Não. O termo de cooperação prevê materiais e capacitação, sem transferência financeira entre as instituições.