Economia · 2026-11-01 · Redação Notícia ES

Volatilidade pós-eleições impulsiona busca por ativos de proteção

Na renda variável, analistas veem espaço para ações de empresas exportadoras; na renda fixa, destaque são os pós-fixados

Volatilidade pós-eleições impulsiona busca por ativos de proteção
Volatilidade pós-eleições impulsiona busca por ativos de proteção

A expressiva volatilidade dos ativos brasileiros após a reeleição de Lula ( PT ) impulsiona a busca por ativos de proteção e a diversificação das carteiras de investimento , na avaliação de analistas consultados pela Folha .

Dados e contexto do setor

Títulos públicos e CDBs (Certificados de Depósito Bancário), na renda fixa , e ações de empresas de commodities e exportadoras são opções indicadas para investidores que buscam se proteger em um cenário de volatilidade .

Esses ativos podem contribuir para reduzir a exposição às oscilações provocadas pelo cenário eleitoral.

Como a Folha mostrou, a Bolsa, que chegou a atingir o patamar histórico de 200 mil pontos após o primeiro turno, recuou 17,5% na semana passada . No câmbio, o dólar registrou a maior alta semanal desde 2008, com avanço de 9,18%.

Impactos e informações adicionais

"Os setores que mais sofrem com as perspectivas para o governo são aqueles mais sensíveis aos juros, as empresas mais endividadas e os setores cíclicos domésticos.

Do outro lado, setores exportadores tradicionais e empresas pagadoras de proventos devem ser beneficiados, já que as exportadoras se favorecem de um câmbio real depreciado", afirma Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research.

Para Spiess, a queda expressiva reflete o aumento do risco relativo do Brasil, mas ainda há espaço para empresas de qualidade, previsíveis e com receitas ligadas ao dólar .

"Os investidores estão focando a internacionalização das carteiras. Para o que ficar investido no Brasil, o destaque são ativos reais, como imóveis, e fundos imobiliários ligados à inflação.

Também há espaço para pagadoras de dividendos mais previsíveis, estáveis e consistentes", afirma.

A preferência por empresas com receitas previsíveis também aparece em relatório do Itaú BBA. O banco destaca companhias de infraestrutura, como as dos setores de energia elétrica e saneamento, que têm contratos corrigidos pela inflação e fluxo de caixa mais estável.

A instituição estima retornos reais de 11% a 15% para essas empresas, por apresentarem características semelhantes às de títulos de renda fixa.

O Itaú BBA também aponta o pagamento de dividendos como uma fonte importante de retorno em um cenário de juros elevados e menor espaço para valorização das ações.

Em relatório, o BTG projeta um quarto mandato desafiador para o presidente Lula, com necessidade de negociações com partidos do centrão para aprovar medidas.

Em razão disso, o banco estima uma desvalorização expressiva das ações nas semanas seguintes ao pleito, com o Ibovespa no patamar de 170 mil pontos.

O BTG também estima uma depreciação do real entre 10% e 15% no mesmo período.

Para os analistas da instituição financeira, juros longos mais altos, câmbio desvalorizado e expectativas desancoradas dificultam um ciclo mais agressivo de corte de juros pelo Banco Central, o que reforça a pressão sobre o mercado acionário brasileiro.

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O BTG destaca empresas exportadoras, como Gerdau, Suzano, Vale , Prio e WEG, bem como companhias defensivas, ou seja, com balanços sólidos e caixa líquido.

Nesse segundo grupo, as indicações são Caixa Seguridade, Porto Seguro e Ambev. "Naturalmente, em um cenário de juros elevados, empresas com balanços sólidos tendem a sofrer menos do que aquelas endividadas", afirma o banco.

O Itaú BBA destaca petróleo e gás, papel e celulose, bens de capital e materiais entre os setores exportadores. Mas a exposição ao mercado externo não garante ganhos.

O banco aponta que, em sete episódios históricos de pico do dólar, apenas os três primeiros tiveram retornos médios positivos.

A vitória de Lula aumentou o receio dos investidores de que o governo não adote medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. Segundo dados divulgados pelo BC, a dívida bruta do Brasil ficou em 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro , maior índice desde 2021.

Em resumo

O que aconteceu?

A expressiva volatilidade dos ativos brasileiros após a reeleição de Lula ( PT ) impulsiona a busca por ativos de proteção e a diversificação das carteiras de investimento , na avaliação de analistas consultados pela Folha .

Qual é o ponto principal?

Títulos públicos e CDBs (Certificados de Depósito Bancário), na renda fixa , e ações de empresas de commodities e exportadoras são opções indicadas para investidores que buscam se proteger em um cenário de volatilidade .

Quais são os dados mais importantes?

Esses ativos podem contribuir para reduzir a exposição às oscilações provocadas pelo cenário eleitoral.

Qual é o contexto?

Como a Folha mostrou, a Bolsa, que chegou a atingir o patamar histórico de 200 mil pontos após o primeiro turno, recuou 17,5% na semana passada . No câmbio, o dólar registrou a maior alta semanal desde 2008, com avanço de 9,18%.

Quais são os próximos desdobramentos?

"Os setores que mais sofrem com as perspectivas para o governo são aqueles mais sensíveis aos juros, as empresas mais endividadas e os setores cíclicos domésticos.

Fontes