Vorcaro nega fraude com BRB e pede fim da prisão
Defesa afirma que operações entre Master e BRB foram regulares e solicita arquivamento do inquérito e revogação da prisão preventiva.

Daniel Vorcaro prestou novo depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira, 15 de outubro, e negou fraude nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília. A defesa pediu o arquivamento da investigação e a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro.
A CBN noticiou a versão apresentada sobre o negócio de aproximadamente R$ 12 bilhões e o pedido para encerrar o inquérito. O UOL confirmou que se tratou do terceiro depoimento de Vorcaro e informou que os advogados também solicitaram que ele responda ao processo em liberdade.
Defesa contesta base do inquérito
Os advogados sustentam que as operações foram lícitas, técnicas e aprovadas por instâncias colegiadas. Afirmam ainda que não houve prejuízo para o BRB nem para seus clientes e que as suspeitas iniciais não teriam sido confirmadas pelo avanço das diligências.
O inquérito apura a transferência de carteiras de crédito do Master para o banco estatal. Relatórios citados na investigação apontam problemas de lastro e documentação em parte dos ativos, enquanto a defesa diz que as transações seguiam procedimentos de mercado e seriam benéficas às instituições envolvidas.
Vorcaro também declarou que a crise reputacional do BRB foi agravada pela operação policial. Esse argumento integra a estratégia de afastar a tese de que a negociação produziu dano financeiro, mas não encerra a análise de documentos, fluxos de pagamento e decisões tomadas pelas administrações dos bancos.
A defesa informou que pretende requerer perícia na esfera cível para contestar as alegações de fraude. Uma avaliação técnica independente poderá examinar origem, existência, preço e capacidade de recuperação dos créditos, pontos centrais para determinar se os ativos tinham o valor informado.
O pedido de arquivamento depende da avaliação das autoridades responsáveis pela investigação e da manifestação do Ministério Público. A versão do investigado precisa ser confrontada com laudos, registros internos, depoimentos e comunicações reunidas pela Polícia Federal.
Prisão preventiva segue em debate
Vorcaro permanece preso preventivamente e está custodiado no Distrito Federal. A defesa afirma que ele tem colaborado com os investigadores, comparecido aos depoimentos e fornecido explicações sobre as operações, razão pela qual considera a manutenção da prisão desnecessária.
A prisão preventiva não representa condenação. Ela exige fundamentos cautelares, como risco à investigação, possibilidade de fuga ou ameaça à ordem pública, e deve ser reavaliada quando mudam as circunstâncias que justificaram a medida.
Por outro lado, a revogação não depende apenas da disposição do investigado em depor. O juízo precisa analisar se permanecem os riscos apontados nas decisões anteriores e se medidas menos severas seriam suficientes para proteger a coleta de provas e o andamento do processo.
O valor bilionário atribuído às carteiras aumenta a relevância pública do caso, mas não autoriza antecipar culpa. A investigação deverá demonstrar quais operações eram regulares, quais ativos apresentavam inconsistências e quem participou de cada decisão.
A próxima etapa será a análise formal dos pedidos da defesa. Até uma decisão judicial, continuam válidas tanto a presunção de inocência de Vorcaro quanto a obrigação das autoridades de apurar as suspeitas com documentação verificável e contraditório.
Em resumo
Ele negou fraude nas operações entre Banco Master e BRB e afirmou que as transações foram lícitas e técnicas.
Os advogados pediram o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva.
A apuração citada nas reportagens examina operações de aproximadamente R$ 12 bilhões entre Master e BRB.
Não. É uma medida cautelar e precisa estar sustentada por riscos concretos ao processo ou à investigação.
As autoridades avaliarão os pedidos da defesa e confrontarão a versão de Vorcaro com documentos, perícias e demais provas do inquérito.