Voto facultativo alcança 17,2 milhões de idosos e mobiliza jovens em 2026
Eleitores com 70 anos ou mais passam de 17,2 milhões, enquanto participação de adolescentes de 16 e 17 anos recua em relação a 2022.

Mais de 17,2 milhões de brasileiros com 70 anos ou mais estão aptos a participar das eleições de 2026, embora o voto seja facultativo para essa faixa etária. O contingente era de 14,8 milhões em 2022. Ao mesmo tempo, o número de eleitores de 16 e 17 anos — grupo que também pode votar sem obrigação — caiu em quase meio milhão na comparação com a eleição geral anterior, segundo dados apresentados nesta segunda-feira, 21 de setembro, pela Agência Brasil.
Os dois grupos fazem parte de um eleitorado próximo de 159 milhões de pessoas convocadas para o primeiro turno de 4 de outubro e, onde houver, para o segundo turno de 25 de outubro. A Constituição torna o voto facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17. Entre 18 e 70 anos, o alistamento e o voto são obrigatórios, salvo as exceções legais.
O tema é o centro do episódio “Do primeiro ao último voto”, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil. A produção ouviu adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, pesquisadores e participantes da campanha que ajudou a incorporar o voto aos 16 anos na Constituição de 1988. O programa será exibido às 23h30 desta segunda-feira e ficará disponível nos canais digitais da emissora.
Envelhecimento muda o peso de quem pode escolher votar
O aumento de quase 2,4 milhões de eleitores com 70 anos ou mais em quatro anos acompanha o envelhecimento da população. A dispensa da obrigação não elimina o direito político: quem estiver com o título regular pode comparecer normalmente, escolher todos os cargos em disputa e ter o voto contabilizado como qualquer outro eleitor.
A pesquisadora Ana Amélia Camarano afirmou à TV Brasil que o idoso que decide votar demonstra consciência sobre a importância dessa escolha. A reportagem também ouviu eleitores que associam a participação à defesa de direitos e à visibilidade de grupos sociais. Essas falas são experiências pessoais, não uma estimativa de comparecimento. O índice real só será conhecido após a votação.
Para campanhas e partidos, o crescimento desse segmento exige comunicação acessível e propostas concretas sobre saúde, previdência, mobilidade, cuidado e proteção contra fraudes. A Justiça Eleitoral também precisa garantir locais acessíveis, atendimento adequado e informações claras. Ter voto facultativo não deve significar encontrar barreiras para exercê-lo.
Adolescentes perdem participação depois do avanço de 2022
Na outra ponta, a redução de quase 500 mil títulos entre jovens de 16 e 17 anos interrompe parte do impulso visto na eleição anterior. Como o alistamento nessa idade depende de iniciativa, campanhas de esclarecimento, calendário escolar e mobilização digital influenciam o total. O prazo para tirar ou regularizar o título já terminou para o pleito de outubro, de modo que o número não pode mais ser ampliado por novas inscrições nesta eleição.
O estudante Brayan de Sousa, de 17 anos, disse ao programa que decisões sobre estágio e faculdade afetarão o começo de sua vida adulta. O argumento resume por que o voto juvenil não é apenas simbólico. Presidente, governadores, senadores e deputados decidirão orçamento, educação, trabalho, segurança digital e outras políticas que alcançam diretamente essa geração.
O direito ao voto a partir dos 16 anos foi incorporado à Constituição de 1988 depois de mobilizações durante a redemocratização. A jornalista Manuela Pinho, participante da campanha “Se liga, 16”, relatou que estudantes fizeram abaixo-assinados e dialogaram com parlamentares na época da Constituinte. A regra permanece: votar é uma escolha aos 16 e 17; a obrigatoriedade começa aos 18.
O que observar em 4 de outubro
O comparecimento permitirá medir se o aumento do cadastro de idosos se converteu em mais votos efetivos e se a queda entre adolescentes afetará a participação juvenil. Os dados devem ser analisados em números absolutos e percentuais, porque o tamanho total do eleitorado também mudou. Comparações precisam separar quantidade de eleitores aptos, comparecimento, abstenção, votos válidos, brancos e nulos.
Antes de sair de casa, o eleitor pode consultar situação, seção e local de votação pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral. Documento oficial com foto é suficiente para identificação, e o e-Título pode ser usado conforme as regras do aplicativo. Quem tem voto facultativo não precisa justificar ausência, mas deve manter o cadastro regular para evitar dificuldades em eleições futuras.
A pauta também oferece um teste político. Candidatos costumam falar em nome de jovens e idosos, mas os programas precisam indicar metas, prazos e recursos para esses públicos. A participação de quem não é obrigado a votar funciona como escolha deliberada e pode alterar disputas apertadas. O resultado de outubro mostrará quanto os dois extremos etários do eleitorado decidiram usar esse direito em 2026.
Em resumo
Para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.
Mais de 17,2 milhões, segundo os dados apresentados pela Agência Brasil.
Eram mais de 14,8 milhões de eleitores com 70 anos ou mais.
Não. Caiu em quase 500 mil na comparação com 2022.
O primeiro turno será em 4 de outubro e o segundo, onde houver, em 25 de outubro.
Não. A justificativa é exigida de quem está sujeito ao voto obrigatório.