Voto útil já começou — e beneficia quem lidera em cada estado | G1
O voto útil já começou a desidratar a terceira via e fortalecer Lula e Flávio Bolsonaro nos estados, segundo análise de dados da pesquisa Quaest.

Em 1997, o cientista político Gary Cox publicou "Making Votes Count", o livro que se tornou a referência sobre como as regras eleitorais moldam o comportamento do eleitor. A ideia central é simples: o voto útil não é um ato de traição às convicções, mas um cálculo. O eleitor abandona o candidato de sua preferência quando percebe que ele não tem chance de vencer e que insistir nele pode facilitar a vitória justamente daquele que mais rejeita.
Para esse cálculo acontecer, Cox mostra que três condições
Para esse cálculo acontecer, Cox mostra que três condições precisam estar presentes: o eleitor se importa com o resultado (não vota apenas para expressar uma identidade), sabe quem é viável e quem não é, e essa informação é compartilhada por todos — o que, nas democracias modernas, é o papel das pesquisas. Quando os três ingredientes se combinam, a disputa converge para os dois nomes com chances reais, e os demais encolhem. Cox chama isso de "deserção estratégica".
As últimas três rodadas da Quaest em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal mostram esse mecanismo em funcionamento.
Somei, em cada estado, as intenções de voto de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — os quatro nomes que disputam o espaço fora da polarização — e comparei com a evolução da vantagem de quem lidera o primeiro turno nas três últimas rodadas (8, 23 e 29 de setembro).
Padrão é consistente: a terceira via murcha e
O padrão é consistente: a terceira via murcha e o voto migra para o candidato que já estava na frente naquele território.
Quaest para Globo, rodadas de 8, 23 e 29 de setembro de 2026, PE, MG, RJ, SP e DF — Foto: Reprodução
Em quatro dos cinco estados, a queda da terceira via se converte em vantagem maior para quem já liderava; em Minas, os dois crescem igualmente e a dianteira do presidente Lula (PT) fica em 4 pontos.
Em Pernambuco, o bloco de candidatos fora da polarização foi de 10% em 8 de setembro para 6% agora. No mesmo período, Lula subiu de 51% para 58%, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) oscilou de 21% para 20%. A vantagem do presidente, que era de 30 pontos, foi a 38. O eleitor pernambucano que experimentou Cury em setembro voltou para seu voto de origem.
No Rio de Janeiro, o movimento é o espelho. A terceira via foi de 12% para 8%; Flávio Bolsonaro saiu de 34% para 38% e Lula oscilou de 32% para 31%. A vantagem do senador, que era de 2 pontos, chegou a 7. Em São Paulo, o bloco foi de 15% para 13%, Flávio subiu cinco pontos (de 31% para 36%) e Lula ficou onde estava, em 30%. A dianteira bolsonarista passou de 1 para 6 pontos.
Em resumo
Em 1997, o cientista político Gary Cox publicou "Making Votes Count", o livro que se tornou a referência sobre como as regras eleitorais moldam o comportamento do eleitor. A ideia central é simples: o voto útil não é um ato de traição às convicções, mas um cálculo. O eleitor abandona o candidato de sua preferência quando percebe que ele não tem chance de ven
Para esse cálculo acontecer, Cox mostra que três condições precisam estar presentes: o eleitor se importa com o resultado (não vota apenas para expressar uma identidade), sabe quem é viável e quem não é, e essa informação é compartilhada por todos — o que, nas democracias modernas, é o papel das pesquisas. Quando os três ingredientes se combinam, a disputa c
As últimas três rodadas da Quaest em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal mostram esse mecanismo em funcionamento. Somei, em cada estado, as intenções de voto de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — os quatro nomes que disputam o espaço fora da polarização — e comparei com
Quaest para Globo, rodadas de 8, 23 e 29 de setembro de 2026, PE, MG, RJ, SP e DF — Foto: Reprodução
Em quatro dos cinco estados, a queda da terceira via se converte em vantagem maior para quem já liderava; em Minas, os dois crescem igualmente e a dianteira do presidente Lula (PT) fica em 4 pontos.