Votos de Garotinho deixam resultado do Rio sob análise do TSE
Douglas Ruas terminou na liderança e iria ao segundo turno com Eduardo Paes, mas a validade dos votos de Anthony Garotinho ainda pode levar a uma vitória no primeiro turno.

O resultado da eleição para o governo do Rio de Janeiro depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos). A apuração deste domingo (4) apontou segundo turno entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD), mas uma retotalização pode encerrar a disputa no primeiro turno.
A reportagem da Veja mostrou que os votos atribuídos a Garotinho estão registrados como anulados sob condição judicial e aguardam o julgamento de um recurso no TSE. A Agência Brasil confirmou o cenário com dados oficiais da apuração e informou que a invalidação definitiva desses votos pode elevar Ruas para além da maioria absoluta dos votos válidos.
Com 99,95% das urnas totalizadas, Ruas recebeu 4.268.884 votos, equivalentes a 49,27% dos válidos. Paes ficou em segundo lugar, com 3.704.372 votos, ou 42,76%. Garotinho apareceu com 3,17%, parcela suficiente para alterar a base usada no cálculo do percentual dos demais candidatos.
Retotalização pode encerrar disputa
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa superar metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos. Se o TSE mantiver o indeferimento de Garotinho e retirar seus votos da conta, o total válido diminui; com a mesma votação nominal, Ruas poderá ultrapassar a barreira de 50% mais um.
A controvérsia nasceu de uma condenação por improbidade administrativa. Garotinho sustenta que o período de suspensão de seus direitos políticos terminou em agosto de 2026. O Ministério Público Eleitoral defende outra contagem, iniciada apenas depois do trânsito em julgado, o que levaria a restrição até 2033.
Em 29 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro manteve por unanimidade o indeferimento do registro. Como houve recurso à instância superior, o ex-governador permaneceu na urna e recebeu votos cuja validade final ficou vinculada ao pronunciamento do TSE.
Recurso define calendário eleitoral
O ponto central agora não é uma nova apuração dos boletins de urna, mas a qualificação jurídica dos votos já computados. Se eles forem validados, Ruas e Paes seguem para a votação marcada para 25 de outubro. Se forem excluídos e a retotalização der maioria absoluta ao primeiro colocado, a Justiça Eleitoral terá de formalizar o resultado correspondente.
O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio Mello, disse após a apuração que caberá ao TSE estabelecer os próximos passos. Ele evitou antecipar se Ruas seria proclamado eleito em caso de retirada dos votos de Garotinho, porque a resposta depende do conteúdo e do momento da decisão superior.
A indefinição tem efeito imediato sobre a campanha. Ruas e Paes precisam se preparar para o segundo turno enquanto aguardam o julgamento capaz de torná-lo desnecessário. Até uma decisão definitiva, o resultado divulgado representa a fotografia da votação de domingo, mas ainda não encerra a disputa jurídica.
Em resumo
Porque o TSE ainda julgará a validade dos votos dados a Anthony Garotinho, que concorreu com o registro sob análise judicial.
Douglas Ruas liderou com 49,27% dos votos válidos, seguido por Eduardo Paes, com 42,76%.
Se forem excluídos do total válido, o percentual de Ruas poderá superar 50% e permitir vitória no primeiro turno.
O Tribunal Superior Eleitoral analisará o recurso contra o indeferimento do registro de Garotinho.
A nova votação está marcada para 25 de outubro de 2026, caso o TSE não altere o desfecho do primeiro turno.