Zucco e Tarcísio ampliam presença militar nos governos
Eleição de Luciano Zucco no Rio Grande do Sul e reeleição de Tarcísio em São Paulo colocam dois oficiais da reserva à frente de estados.

Luciano Zucco e Tarcísio de Freitas comandarão simultaneamente Rio Grande do Sul e São Paulo a partir de 2027. Os dois oficiais da reserva do Exército venceram as eleições estaduais de domingo (4) no primeiro turno e assumirão mandatos até 2030.
A Folha de S.Paulo apontou que esta será a primeira vez, desde a redemocratização, em que dois governadores oriundos do Exército administrarão estados ao mesmo tempo. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Zucco com 3.516.048 votos, ou 58,05% dos válidos, e a Radioagência Nacional registrou a reeleição de Tarcísio com 63% em São Paulo.
A coincidência vai além da formação militar. Zucco, de 52 anos, e Tarcísio, de 51, concluíram a Academia Militar das Agulhas Negras em 1996. O primeiro seguiu a arma de Cavalaria; o segundo, a de Engenharia. Décadas depois, chegaram ao Executivo estadual por partidos alinhados à direita.
Trajetórias militares convergem nas urnas
Tarcísio deixou a carreira militar antes de entrar na política eletiva. Após atuar no serviço público e comandar o Ministério da Infraestrutura, venceu o governo paulista em 2022 e obteve novo mandato em 2026 pelo Republicanos. Sua campanha se apoiou no desempenho administrativo e no apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Zucco passou diretamente dos quartéis para a política. Foi o deputado estadual mais votado do Rio Grande do Sul em 2018 e, quatro anos depois, tornou-se o deputado federal mais votado do estado. Na Câmara, ganhou projeção nacional ao liderar a oposição ao governo Lula e presidir a CPI do MST.
Na disputa gaúcha, Zucco procurou concentrar a propaganda em temas estaduais. Criticou a resposta do governo de Eduardo Leite às enchentes de 2024 e defendeu maior investimento em prevenção. A estratégia reuniu PL, Republicanos, Podemos, DC, Novo, PP e União Brasil em uma coligação ampla.
Vitórias ampliam mapa conservador
As duas vitórias integram um avanço mais amplo da direita nos governos estaduais. O resultado nacional definiu 20 governadores já no primeiro turno. No Sudeste, Tarcísio elegeu-se em São Paulo e Cleitinho venceu em Minas Gerais; no Sul, Zucco, Sergio Moro e Jorginho Mello fecharam a votação sem segunda rodada.
A presença de ex-militares nas cédulas, contudo, caiu em relação a 2022. Dados do TSE citados pela Folha apontam pelo menos 1.224 candidatos oriundos das Forças Armadas ou das forças de segurança, redução de 36,4% ante os 1.924 registrados quatro anos antes.
Mesmo com menos candidaturas desse grupo, as vitórias em São Paulo e no Rio Grande do Sul têm peso nacional. Juntos, os dois estados somam eleitorados e economias relevantes, enquanto seus governadores devem participar da articulação política do segundo turno presidencial e da formação das alianças para 2027.
Em resumo
Luciano Zucco, do PL, foi eleito governador no primeiro turno com 58,05% dos votos válidos.
Tarcísio de Freitas, do Republicanos, foi reeleito governador no primeiro turno com 63% dos votos.
Ambos são oficiais da reserva do Exército e concluíram a Academia Militar das Agulhas Negras em 1996.
Ele foi deputado estadual em 2018, deputado federal em 2022 e liderou a oposição ao governo Lula na Câmara.
Não. O total citado pela Folha caiu 36,4% em relação a 2022, embora dois ex-oficiais tenham vencido governos importantes.